Câmara técnica deve indicar ao governo compra de Coronavac para crianças de 3 a 5 anos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A câmara técnica que assessora o Ministério da Saúde vai se reunir nesta sexta-feira (15) e deve recomendar ao governo federal a compra da Coronavac para a vacinação contra a Covid-19 das crianças de 3 a 5 anos.

O uso emergencial da vacina nesta faixa etária foi aprovado de forma unânime pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta quarta-feira (13), sem restrições.

Desde então, o Ministério da Saúde tem afirmado que vai avaliar a indicação com a CTAI (Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização), formada por especialistas da sociedade civil e representantes das secretarias municipais e estaduais de saúde.

Integrantes ouvidos pela reportagem afirmam, no entanto, que a câmara técnica já tinha recomendado a vacinação de crianças com qualquer vacina aprovada pela Anvisa.

Por isso, o grupo deve sugerir que a vacinação das crianças de 3 a 5 anos com a Coronavac seja incorporada ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) o mais rápido possível.

O esquema vacinal indicado pela Anvisa para a vacinação infantil é igual ao do restante da população: mesma dosagem e intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda dose.

O pedido de ampliação da faixa etária na bula do imunizante estava em análise desde 11 de março, quando o Instituto Butantan fez uma nova solicitação à agência reguladora.

Após a decisão da Anvisa, o secretário de estado da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou à reportagem que o Butantan vai importar as doses da China. Segundo ele, a partir da encomenda das vacinas pelo Ministério da Saúde ao instituto, a estimativa de entrega no Brasil é de 45 dias.

​De acordo com Gorinchteyn, o estoque de Coronavac em São Paulo é muito pequeno e deve ser usado para quem tomou a primeira dose desta vacina e ainda não apareceu para receber a segunda injeção do imunizante contra Covid.

"O Butantan espera agora que o imunizante seja incorporado ao Programa Nacional de Imunizações [PNI] do Ministério da Saúde, de acordo com a demanda necessária e mediante contratação", afirmou o instituto nesta quarta.

Questionado sobre os motivos para não definir se voltará a fabricar Coronavac no Brasil, o Butantan disse nesta quinta-feira (14) que é preciso antes saber qual vai ser a demanda.

Atualmente, no Brasil, a vacinação contra o novo coronavírus ocorre a partir dos 5 anos de idade. A Coronavac já tinha sido liberada pela Anvisa para uso em crianças de 6 anos ou mais, mas a vacinação infantil tem sido feita preferencialmente com Pfizer.

A Pfizer, até a decisão da Anvisa desta quarta, era a única vacina liberada para as crianças de 5 anos.

No último mês, os hospitais tiveram aumento de internações de crianças menores de 5 anos por Covid-19. O Brasil tem registrado uma média de duas mortes diárias pela doença entre crianças mais novas.

Uma análise do Observa Infância, projeto ligado ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), mostrou que houve 1.439 mortes por coronavírus nesse grupo em 2020 e 2021, sendo que 48% eram de bebês de 29 dias a 1 ano incompleto.

A vacinação de crianças e adolescentes é um tema sensível no governo Jair Bolsonaro (PL), que chegou a distorcer dados e desestimular a imunização infantil.

O presidente até mesmo ameaçou expor nomes dos servidores da Anvisa, quando o uso de vacinas da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos foi aprovada em 16 de dezembro do ano passado.

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