Câncer de mama: pesquisadores nos EUA desenvolvem vacina personalizada contra o tumor

Depois da água potável, as vacinas são o mecanismo mais seguro e eficiente para a saúde pública. Essa ferramenta da medicina protege as pessoas contra doenças que, até seu surgimento, causavam a morte de milhares de indivíduos. Agora, pesquisadores querem usar essa preciosa ferramenta no combate ao câncer.

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Já existem vacinas disponíveis para alguns tumores específicos, que são causados por vírus. Por exemplo, a vacina contra HPV previne o câncer de colo do útero. Já o imunizante contra a hepatite B, pode prevenir câncer hepático. Mas um número crescente de cientistas se debruça no desenvolvimento de vacinas para ajudar a tratar e prevenir a recorrência de tumores. A equipe da Mayo Clinic, instituição de saúde de referência nos Estados Unidos, é uma das que trabalha nessa linha.

Pesquisadores liderados pelo médico Keith Knutson, colíder do Programa de Imunologia e Imunoterapia do Centro de Câncer da Mayo Clinic, na Flórida, e cocriador do Programa de Vacinas Personalizadas com Neoantígeno da Mayo Clinic, estão trabalhando no desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas contra o câncer. Ou seja, a ideia é que os imunizantes desenvolvidos por eles atuem sobre características específicas do tumor de cada pessoa, com o objetivo de prevenir o avanço do tumor.

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A nova abordagem, fundamentada nos avanços da pesquisa genômica e na análise de dados, tem o potencial de aumentar a capacidade do sistema imunológico de identificar e combater as células cancerígenas.

— Para alguns pacientes com câncer, a vacina pode induzir o encolhimento dos tumores e proporcionar uma imunidade antitumoral duradoura de longo prazo — afirma Knutson.

Testes pré-clínicos com animais mostraram que a combinação de vacina e imunoterapia no tratamento do câncer de mama prolongou o tempo de sobrevivência sem causar toxicidade significativa. A expectativa é que esses resultados se repliquem em estudos em humanos para diversos tipos de câncer, assim como para a prevenção de doenças.

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As vacinas individualizadas contra o câncer são desenvolvidas de forma semelhante às vacinas contra influenza ou Covid-19, por exemplo, nas quais o ingrediente principal é uma proteína relacionada com a doença.

— À medida que o sistema imunológico aprende a reconhecer essa proteína, ele pode estimular a produção de células T exterminadoras para combatê-la — explica Knutson.

A diferença é que enquanto os imunizantes contra essas doenças utilizam proteínas dos vírus, a vacina contra o câncer utiliza partes das mutações da proteína do tumor da pessoa, conhecidas como neoantígenos.

Como os neoantígenos são encontrados somente na superfície das células cancerígenas, e não fazem parte do corpo naturalmente, o sistema imunológico pode reconhecê-los como invasores patogênicos. Combinada com a imunoterapia, a vacina pode ser uma possível ajuda para gerar uma resposta defensiva robusta.

— Se pudermos identificar de 20 a 30 proteínas com mutação no câncer de uma pessoa, poderemos usá-las para elaborar a vacina. Então, poderemos imunizar a pessoa diversas vezes enquanto ela estiver sendo tratada com a imunoterapia de inibição dos pontos de controle imunológico — explica o médico.

Como é feita a vacina

O processo de desenvolvimento da vacina começa no Centro de Medicina Individualizada da Mayo Clinic com o sequenciamento das células tumorais do paciente e a análise do DNA e das cadeias de aminoácidos (os blocos que constituem as proteínas) para encontrar possíveis candidatos a neoantígenos. No fim, são escolhidos até 36 neoantígenos (entre centenas de milhares) que podem gerar uma resposta imune mais forte.

Após a seleção dos neoantígenos, são formulados os ingredientes da vacina, para ativar as possíveis respostas imunológicas mais fortes para a destruição completa do tumor.