Câncer de mama se espalha mais rápido durante o sono, mostra estudo; entenda

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é uma das formas mais comuns do diagnóstico, acometendo cerca de 2,3 milhões de pessoas por ano no mundo. No Brasil, foram estimados cerca de 66 mil novos casos para 2022 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Um dos grandes perigos do quadro é quando as células cancerígenas crescem para fora do tumor original e se espalham pela corrente sanguínea formando novos tumores em outros órgãos, no processo chamado de metástase.

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Os cientistas acreditavam que nos casos em que há esse aumento e disseminação das células metastáticas, isso acontecia de forma contínua pelo tumor ao longo dia. No entanto, um novo estudo publicado na revista científica Nature fez uma descoberta surpreendente: as perigosas células circulam principalmente na hora em que o paciente está dormindo. Agora, eles pretendem avaliar se os novos achados significam que o horário do tratamento do câncer pode influenciar no resultado.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH), do Hospital Universitário de Basel e da Universidade de Basel, todos na Suíça. A relação entre o sono e a liberação das células metastáticas começou a ser alvo de interesse dos pesquisadores de forma quase acidental, conta o líder do estudo Nicola Aceto, professor de Oncologia Molecular da ETH Zurich.

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Ele explica que os membros do laboratório trabalham em horários variados e se surpreenderam ao descobrir que amostras de tumores coletadas em momentos diferentes do dia carregavam níveis muito discrepantes de células cancerígenas circulantes - aquelas responsáveis pela metástase.

Além disso, estranharam a quantidade maior de células do tipo encontradas no sangue de camundongos em comparação ao de humanos. Por se tratarem de animais noturnos, os animais estavam dormindo durante grande parte das coletas das amostras.

As duas observações juntas foram suficientes para levarem os cientistas suíços a elaborarem o estudo com 30 mulheres com câncer de mama, que envolveu também novas análises do tumor em camundongos. Isso porque, embora homens também possam ser diagnosticados com o câncer, eles representam apenas cerca de 1% dos casos, segundo o Inca.

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Após uma análise detalhada, com amostras coletadas em diferentes momentos do dia, os pesquisadores descobriram que, quando o organismo estava adormecido, o tumor de mama gerava um número consideravelmente maior das células metastáticas. Essas células “noturnas” também se dividiam de forma mais rápida e, portanto, apresentavam um maior potencial para formar as metástases – em comparação às liberadas pelo câncer durante o dia.

"Quando a pessoa afetada está dormindo, o tumor desperta. A nosso ver, esses achados podem indicar a necessidade de os profissionais de saúde registrarem sistematicamente o horário em que realizam as biópsias. (Isso) pode ajudar a tornar os dados verdadeiramente comparáveis”, sugere Aceto.

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Para Zoi Diamantopoulou, também autora do estudo e pesquisadora da ETH Zurich, essa mudança no comportamento do tumor pode ser motivada por hormônios que são regulados pelo relógio biológico do paciente.

"Nossa pesquisa mostra que a fuga de células cancerígenas circulantes do tumor original é controlada por hormônios como a melatonina, que determinam nossos ritmos de dia e noite", explica Zoi.

Agora, os pesquisadores acreditam que as descobertas podem levar a novas estratégias relacionadas às terapias para combater o câncer. Em estudos posteriores, os cientistas pretendem avaliar se outros tipos de câncer atuam da mesma forma, e se os diferentes horários do dia em que o tratamento é feito podem impactar de maneira divergente no resultado.

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