Câncer no intestino: cresce o número de casos em adultos jovens

Tem sido registrado em todo mundo um aumento na incidência de casos de câncer de intestino em pessoas mais jovens. Na última semana, por exemplo, a cantora Preta Gil usou suas redes sociais para informar que foi diagnosticada com um adenocarcinoma no intestino, um tipo de câncer maligno na região. Em agosto do ano passado, a cantora Simony também revelou ter encontrado um tumor no órgão e há dois anos o ator hollywoodiano Chadwick Boseman faleceu vítima de um câncer de cólon.

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Se, no passado, esse tipo de tumor afetava, predominantemente, pessoas acima dos 50 anos, a idade já não é o fator de risco mais preponderante. De acordo com um estudo da Sociedade Americana de Câncer (ACS), a incidência do câncer de intestino entre jovens está aumentando. O diagnóstico em adultos de 20 a 39 anos vem crescendo entre 1% e 2,4% por ano desde a década de 1980.

— As causas para essa incidência do câncer antes dos 50 anos são multifatoriais. Por um lado, existe essa questão da falta de exames de rastreio para pessoas com menos dessa faixa etária. Não há uma preocupação porque eles acham que nunca será com eles. Há uma recomendação da classe médica para realizar esses exames apenas depois dos 50 anos, mas com esse eminente crescimento eu, por exemplo, e outros médicos, já recomendam que seus clientes comecem a partir dos 45 anos — diz a oncologista e pesquisadora do instituto D'Or Mariana Bruno Siqueira.

A ACS também passou a recomendar o rastreamento de câncer colorretal pela colonoscopia a partir dos 45 anos, mesmo quando não houver sintomas ou casos da doença na família. O ideal é fazer o exame a cada três a cinco anos.

Para pessoas com histórico de câncer colorretal na família, o recomendado é que se procure um médico para avaliar se há necessidade e frequência do rastreio. O fato de ter um parente com a doença aumenta os riscos da pessoa de ter o problema.

Outra causa relacionada ao aumento de casos em jovens é o mau hábito de vida da população nesta faixa etária. Falta de exercícios físicos, sedentarismo, alcoolismo, tabagismo, obesidade e falta de alimentação saudável, ou seja, uma dieta pobre em fibras, consumo exagerado de carne vermelha, rica em alimentos ultraprocessados, sem frutas e vegetais, são fatores de risco relevantes para a incidência da doença.

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Estima-se, por exemplo, que pessoas nascidas na década de 1990 possuem um risco quatro vezes maior de desenvolver câncer no reto (a porção final do intestino) do que as que vieram ao mundo nos anos 1950.

— Nos mais jovens a maior parte dos tumores deste tipo acomete o lado esquerdo do intestino (reto) onde está localizando, por exemplo o da Preta Gil. Eles vêm acompanhados de sintomas rápidos e visíveis, como dores abdominais, diarreias inexplicáveis, prisão de ventre e sangramento das fezes. É importante que, mesmo jovem, ao sentir esses sintomas, deve procurar um médico com urgência, pois a chance de cura em casos isolados, que não tenham se espalhado pelo corpo, são em torno de 80% — diz Siqueira.

Câncer de intestino

Também conhecido por câncer colorretal é o tumor encontrado na região do intestino grosso e parte final do órgão (reto). Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) é um dos mais incidentes no Brasil, ficando atrás somente dos de pele, mama e próstata. Apesar de a incidência ser semelhante em homens e mulheres, a mortalidade, segundo o Inca, varia de 8,4% dos casos em pacientes do sexo masculino a 9,6% no sexo feminino.

Separando pelos gêneros, ele é o segundo mais frequente entre mulheres, atrás apenas do câncer de mama. Já nos homens, está atrás do câncer de próstata e de pulmão, porém em trajetória ascendente para ocupar a segunda posição.

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O câncer de intestino chamou atenção recentemente por ter sido a causa da morte dos ex-jogadores Pelé e Roberto Dinamite. No entanto, é uma doença tratável e que pode ser curada, especialmente quando detectada de forma precoce e alvo do devido tratamento.

Tratamento

Segundo informações do Inca, o câncer de intestino é "uma doença tratável e frequentemente curável". Geralmente, a intervenção inicial é cirúrgica para retirar a parte do intestino afetada pelo tumor. A depender do melhor tratamento indicado pelo médico, outras etapas podem envolver sessões de radioterapia e quimioterapia.

A colonoscopia é o principal exame para detectar pólipos e tumores. Foi a forma, por exemplo, como a cantora Simony, que precisou passar por quimioterapia e radioterapia, descobriu a doença.

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A eficácia do tratamento depende principalmente de onde o tumor está localizado, e o seu tamanho e extensão. Em casos de metástase, quando o câncer se espalha para outras regiões do corpo, as perspectivas de cura são reduzidas. Por isso, a detecção precoce é tão importante para um bom desfecho.