Câncer de pele: saiba como identificar os sinais da doença

O câncer de pele não melanoma é o mais incidente no Brasil, responsável por 31,3% dos 704 mil novos casos anuais estimados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o próximo triênio. Esse tipo de câncer é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, de pele clara e sensíveis à ação dos raios solares. Ele também tende a ter uma taxa de letalidade mais baixa.

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A doença é provocada pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares. Já o melanoma é o tipo menos frequente de câncer de pele, mas o mais letal. Ele representa 5% dos casos de câncer de pele, mas responde por 4 entre 10 mortes.

O melanoma, em geral, tem a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons acastanhados ou pretos. Porém, a “pinta” ou o “sinal”, em geral, mudam de cor, de formato ou de tamanho, e podem apresentar sangramento. Essas lesões podem surgir em áreas difíceis de serem visualizadas pelo paciente, embora sejam mais comuns nas pernas, em mulheres; no tronco, nos homens; e pescoço e rosto, em ambos os sexos.

Sinais de alerta

O câncer da pele pode se assemelhar a pintas, eczemas ou outras lesões na pele. É importante consultar um médico para ter um diagnóstico preciso, mas alguns sinais que indicam a necessidade de procurar ajuda especializada, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) são:

Lesão na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente;

Pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho;

Mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.

A metodologia indicada por dermatologistas para identificar sinais perigosos, que podem indicar um câncer mais agressivo, como o melanoma, é a "Regra do ABCDE". Cada letra do alfabeto representa uma característica a ser observada na pinta. Confira abaixo o significado de cada uma:

A: se refere à assimetria. Lesões assimétricas indicam um tumor maligno e, simétricas, benigno;

B: se refere às bordas. Toda pinta deve ter suas bordas lisas. Pintas com bordas irregulares devem ser investigadas;

C: se refere à cor das pintas. Existem diversas tonalidades, mas quando uma única pinta ou mancha tem mais de uma cor, é sinal de alerta;

D: a letra identifica o diâmetro. Pintas ou manchas com mais de 6 mm, devem ser examinadas;

E: se refere à evolução. Uma pinta que progressivamente muda de aspecto, por exemplo, cresce e muda de cor, deve ser investigada.

Tratamento

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) o tratamento do câncer de pele não melanoma costuma ser simples. Podem ser utilizadas várias técnicas, como cirurgia excisional (remoção do tumor e de uma borda adicional de pele sadia com um bisturi); curetagem e eletrodissecção (raspagem da lesão seguida da destruição de células com o bisturi elétrico); –criocirurgia (destruição do tumor por meio do congelamento com nitrogênio líquido); laser (remove as células tumorais usando o laser de dióxido de carbono); cirurgia micrográfica de mohs (retirada do tumor e da pele ao redor com uma cureta até não restarem vestígios de células tumorais); e terapia fotodinâmica (um agente fotossensibilizante destrói as células tumorais).

Radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e medicações orais e tópicas são outras opções de tratamentos para os carcinomas.

No caso dos melanomas, o procedimento varia de acordo com a extensão da doença. Segundo o cirurgião oncológico Flávio Cavarsan, membro da Comissão de Oncologia Cutânea da SBCO, o tratamento é eminentemente cirúrgico.

“Não se aceita tratamentos como laser, com ácidos, cauterizações ou curetagens”, afirma.

Também podem ser combinados outros tratamentos que incluem quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.

Prevenção

O câncer de pele tem apenas uma forma de prevenção: evitar a exposição ao sol sem proteção, principalmente entre 10h e 16h. Além do uso do filtro, roupas com proteção UV, chapéus e óculos escuros também ajudam. O recomendado é aplicar em casa e reaplicar a cada duas ou três horas.

É necessário aplicar uma boa quantidade do produto, equivalente a uma colher de chá rasa para o rosto e três colheres de sopa para o corpo, uniformemente, de modo a não deixar nenhuma área desprotegida. O filtro solar deve ser usado diariamente, mesmo quando o dia estiver frio ou nublado.