Cânion se desprende, atinge lanchas e deixa 5 mortos em Capitólio (MG)

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A queda de parte de um cânion sobre lanchas que passeavam pelo lago de Furnas, em Capitólio (MG), deixou ao menos cinco pessoas mortas, informou o Corpo de Bombeiros do estado na tarde deste sábado (8). Há ainda 20 pessoas consideradas desaparecidas.

Três embarcações foram atingidas, das quais duas afundaram, e 32 pessoas pessoas ficaram feridos. Os dois mortos eram homens, que ainda não tiveram seus nomes divulgados.

Segundo os bombeiros, 23 vítimas foram atendidas e liberadas na Santa Casa de Capitólio. Duas pessoas com fraturas expostas estão em atendimento na Santa Casa de Piumhi, três estão na Santa Casa de Passos e outras quatro, com ferimentos leves, na Santa Casa de São José da Barra.

O primeiro chamado sobre o acidente ocorreu pouco após às 12h30. Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra o momento em que uma grande rocha se desprende e atinge em cheio lanchas que estavam lotadas de turistas.

Em outras imagens, é possível ver uma cabeça d'água onde ocorreu o acidente. As pessoas que estão no barco apontam para a cacheira e algumas lanchas começam então a se afastar, mas é possível ver que outras seguem no local.

Outro vídeo mostra que cerca de um minuto antes do desprendimento total da rocha, houve desabamentos de pequenas pedras na água do lago. Nas imagens, as pessoas pedem para que as embarcações se afastassem da rocha. Um minuto depois, ocorre o acidente.

O comandante do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Edgard Estevo da Silva, afirmou que há relatos de ao menos 20 pessoas desaparecidas.

"Estamos trabalhando com as informações de testemunhas e agências de turismo local", disse ele.

A sala de imprensa do Corpo de Bombeiros informou que equipes de mergulhadores foram encaminhadas para a localidade —um conhecido ponto turístico mineiro, devido a suas belezas naturais. As buscas serão interrompidas à noite por questões de segurança.

O tenente dos bombeiros Pedro Aihara, porta-voz da corporação, afirmou que pelo menos 40 militares dos bombeiros atuam no local. "Temos uma equipe de mergulhadores especializados, o apoio da nossa aeronave Arcanjo 08, que tem toda a estrutura de evacuação médica caso seja necessário trazer alguma vítima mais grave para Belo Horizonte ou para outra localidade", disse.

"O que nós já detectamos que três embarcações foram atingidas, esse número pode aumentar porque nós tínhamos uma quantidade muito grande de embarcações naquele momento. Mas nós já confirmamos que três embarcações foram atingidas, sendo que duas afundaram e uma não afundou", disse.

Em nota, a Marinha informou que tomou conhecimento do acidente e deslocou equipes para lá. "A DelFurnas deslocou, imediatamente, equipes de Busca e Salvamento para o local, integrantes da Operação Verão ora em andamento, a fim de prestar o apoio necessário às tripulações envolvidas no acidente, no transporte de feridos para a Santa Casa de Capitólio, e no auxílio aos outros órgãos atuando no local. Um inquérito será instaurado para apurar causas, circunstâncias do acidente/fato ocorrido", diz o comunicado.

Segundo informações preliminares, ao menos 37 homens atuam nos resgates.

O prefeito de Capitólio, Cristiano Silva, postou um vídeo em redes sociais dizendo que a população da cidade está transtornada com o acidente. "Estamos em estado de choque com esse acontecido, e somos solidários com as vítimas, feridos e os óbitos. Não foi uma tromba d'água, foi um deslocamento de pedra que atingiu algumas lanchas", disse.

Silva afirmou que ambulâncias foram enviadas ao local. "Os hospitais da região estão atuando e se mobilizaram também para receber os feridos", disse.

O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), também se manifestou sobre o episódio. " Sofremos hoje a dor de uma tragédia em nosso estado, devido às fortes chuvas, que provocaram o desprendimento de um paredão de pedras no lago de Furnas, em Capitólio", escreveu.

Por volta das 16h30, o presidente Jair Bolsonaro (PL) postou o vídeo de uma entrevista coletiva em sua rede social, na qual disse que não estava sabendo do caso.

"Não estou sabendo não, aconteceu agora há pouco?", perguntou aos repórteres. "Se bem que se puder fazer alguma coisa pode ter certeza que o ministro correspondente que já tomou conhecimento já está buscando como atenuar o problema", disse.

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, afirmou lamentar o acidente e prestou "solidariedade a todos os envolvidos na tragédia e entrará em contato com as autoridades locais para expressar apoio da pasta".

Capitólio é um grande destino turístico devido aos canions, que costumam ser vistos em passeios de barco pelo lago de Furnas, que tem mais de cem quilômetros de extensão.

A maioria dos turistas que visitam Capitólio é da capital paulista, de cidades do interior de São Paulo e da capital mineira, segundo as agências de turismo locais. ​Quando a Folha visitou o local, em outubro do ano passado, mais de cem lanchas faziam passeios.

A região já registrou diversos casos de acidentes com mortes de banhistas nos últimos anos. Em janeiro do ano passado, ao menos três pessoas morreram após uma cabeça d'água atingir uma cachoeira em Capitólio.

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