Líderes da UE discutem saída da pandemia e pedem aceleração da produção de vacinas

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O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, durante uma videoconferência com os líderes da Alemanha, França, Portugal e Grécia, antes da cúpula europeia em Bruxelas, em 23 de março de 2021

Os líderes dos 27 países da União Europeia discutiram nesta quinta-feira (25) em uma cúpula por videoconferência os problemas na luta contra a pandemia do coronavírus e apelaram a um aumento urgente na produção de vacinas.

“Acelerar a produção, entrega e distribuição de vacinas continua a ser essencial e urgente para superar a crise”, apontaram os líderes europeus na primeira linha de suas conclusões após um dia de consultas.

“Os esforços nesse sentido devem ser reforçados. Ressaltamos a importância da transparência e do uso das autorizações de exportação”, destacam no documento.

Em um momento em que o continente está sendo duramente atingido pela pandemia, os líderes europeus destacaram “a importância das cadeias globais” e reafirmaram “que as empresas [farmacêuticas] devem garantir previsibilidade na produção de vacinas e respeitar os prazos contratuais de entrega”.

Ao final da reunião, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen esclareceu todas as dúvidas sobre o destinatário dessas mensagens e apontou diretamente para o laboratório anglo-sueco AstraZeneca.

“Acho que está claro que a empresa primeiro tem que recuperar o atraso e honrar o contrato que tem com os estados membros [da UE] antes de poder exportar vacinas novamente”, disse em uma entrevista coletiva.

Bruxelas afirma que, embora esteja longe de cumprir seus compromissos contratuais com a UE, o laboratório está garantindo suas entregas de doses para o Reino Unido.

A Comissão Europeia reforçou drasticamente o sistema de controle das exportações de vacinas produzidas em seu território para países fora do bloco na tentativa de resolver um problema evidente.

- Reações conjuntas -

Esta decisão provocou irritação do Reino Unido, principal país destinatário das vacinas produzidas na UE e exportadas pelos próprios laboratórios.

O dispositivo permite à Comissão e aos países do bloco proibir exportações de vacinas para países que produzem doses, mas que bloqueiam os envios para a UE.

As exportações para países, cujas populações já estão amplamente vacinadas, ou que vivem uma melhor situação epidemiológica, também poderiam ser bloqueadas.

A ameaça de bloquear as exportações levou a posições conflitantes dentro da UE.

Alguns países, como a França, defendem o mecanismo de controle, alegando que ele permite à Europa "defender seus interesses".

O presidente francês, Emmanuel Macron, fez uma crítica sutil à UE, ao elogiar a estratégia dos EUA: "Eles têm sido mais ambiciosos do que nós", comentou.

Outros países, como a Irlanda, opõem-se a qualquer "bloqueio" na exportação de doses, e a Bélgica, que funciona como centro de distribuição, expressou preocupação com os efeitos nas cadeias de abastecimento.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, disse nesta quinta-feira que Bruxelas e Londres poderiam chegar a um acordo no fim de semana sobre vacinas, para evitar um bloqueio às exportações.

"Felizmente, os dois lados estão conversando e parece que (a UE e o Reino Unido) podem chegar a um acordo no sábado ou logo depois", disse Rutte.

Uma nova planta de produção da AstraZeneca na Holanda está agora em disputa, já que a UE e o Reino Unido querem que as doses sejam fabricadas lá.

- Cooperação com os EUA -

Os líderes europeus "receberam" virtualmente o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conectado por videoconferência.

Pouco antes, Biden havia anunciado uma duplicação de suas metas, para vacinar 200 milhões de americanos em seus primeiros 100 dias no cargo.

Neste contexto crítico, a participação de Biden foi recebida como alívio para a UE, que busca ansiosamente deixar para trás as tensões amargas que marcaram o governo Trump.

A Casa Branca adiantou que a mensagem de Biden seria breve, mas que representaria a reabertura do canal de diálogo com um aliado essencial para a UE e o primeiro passo para retomar a cooperação.

O último presidente dos Estados Unidos a participar de uma cúpula europeia foi Barack Obama em 2009.

"Tivemos a oportunidade de ... expressar a sua visão sobre a cooperação futura entre a UE e os Estados Unidos. E foi também a oportunidade para nós, União Europeia, de expressarmos o nosso firme compromisso" a esse aliado transatlântico, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

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