Cabo da PM acusado de matar contraventor Fernando Iggnácio chega ao Rio após prisão na Bahia e deve ser ouvido; vídeo

O Globo
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RIO — O cabo da Polícia Militar Rodrigo Silva das Neves, apontado como um dos executores do contraventor Fernando Iggnácio, morto a tiros num heliporto, no Recreio dos Bandeirantes, em novembro do ano passado, chegou algemado e escoltado ao Rio, nesta quarta-feira, após ter sido preso, na terça, numa pousada, no município de Canavieiras, na Bahia, por agentes das polícias Civil e Militar dos dois estados.

Cabo das Neves estava foragido há dois meses e segue para a Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra da Tijuca, onde ve ser ouvido pelos investigadores pela primeira vez. Outros três suspeitos, o PM de São Paulo Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, o ex-PM do Rio Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, que é irmão de Otto, e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa, ainda estão sendo procurados.

Rastro do crime

Para identificar os quatro criminosos que executaram o contraventor, o titular da DH, Moysés Santana, percorreu 40 quilômetros do local do crime até Campo Grande, em busca de imagens de câmeras de segurança, tanto da prefeitura, quanto privadas. As buscas fizeram com que os investigadores chegassem a um condomínio, onde morava a namorada do cabo das Neves. Uma das imagens mostra uma cena dos quatro saindo do local rindo, sem demonstrar que haviam acabado de cometer um homicídio. Eles teriam ido esconder dois fuzis, um Fal e um AK-47, usados no crime.

Má reputação na PM

Na ficha de Das Neves, como o cabo era conhecido, ele era avaliado como péssimo policial. Sua folha de faltas e atrasos era extensa. Coincidentemente, um dia depois do homicídio de Iggnácio, em 11 de novembro, foi publicado em boletim da corporação que o PM era reincidente em “mau comportamento”. Por isso, estava respondendo a um Conselho de Revisão e Disciplina (CRD), que poderia culminar com a sua exclusão da Polícia Militar.

Na noite de quarta-feira, o cabo constava na escala de serviço no período noturno, mas não apareceu. Ele trabalhava numa cabine na área do Centro. Se ele não comparecer por sete dias, a partir do dia 18, será considerado desertor pela PM. Para a DH, no entanto, ele já é um foragido da Justiça. O último dia em que foi visto na corporação foi no domingo, quando trabalhou nas eleições. Além das faltas e atrasos, consta em sua ficha duas anotações de violência doméstica pela Lei Maria da Penha.

Além das faltas e atrasos, consta em sua ficha duas anotações de violência doméstica pela Lei Maria da Penha. Foi na casa da mulher do cabo, em Campo Grande, que a DH encontrou quatro fuzis, sendo que dois deles, segundo a perícia, foram usados no crime contra o bicheiro. Policiais da DH e da corregedoria também fizeram buscas na casa de uma irmã dele, na área do 14º BPM (Bangu), mas nada encontraram.

— Apesar de a ficha dele ter atrasos, faltas e casos de violência doméstica, não se imaginava que ele pudesse estar envolvido numa execução. Ele dava serviço numa cabine — comentou a tenente-coronel Gabryela Reis Dantas, que comanda a Coordenadoria de Comunicação Social da PM. — Ele ainda pode se apresentar na corporação ou na DH — disse a porta-voz.

Ligação com Rogério Andrade

Segundo a polícia, o cabo das Neves tem fortes ligações com a contravenção. Ele aparece em fotos nos camarotes da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo patrono é o bicheiro Rogério Andrade, rival de Iggnácio. Aos amigos, o PM teria dito que fazia a segurança da quadra. Os dois travavam uma disputa, há mais de 20 anos, pelo domínio de território na exploração de máquinas de caça-níqueis.

Poucos dias após o crime, os investigadores encontraram quatro armas que foram apreendidas num apartamento ligado ao PM, num condomínio em Campo Grande. Exames de confronto de balística constataram que duas delas, um fuzil FAL e um AK-47, foram usadas no assassinato de Iggnácio.