Cabral volta para presídio da PM, onde foram encontrados indícios de regalias, por ordem da Justiça

Em mais uma reviravolta, a Justiça do Rio determinou, nesta terça-feira (14), que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral retorne à Unidade Prisional da Polícia Militar, no Fonseca, em Niterói, de onde foi transferido em maio por supostas regalias que ele vinha recebendo na cadeia. Atualmente, o político está detido no Grupamento Especial Prisional (GEP) do Corpo de Bombeiros, em São Cristóvão, na Zona Norte. Antes, ele havia passado pelo Quartel do Humaitá, dos bombeiros. Com essa decisão, está será a quarta troca de cadeia desde o último dia 3 de maio. Cabral chegou a ir para o isolamento na penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1, que é considerada cadeia de segurança máxima.

A decisão da volta para Niterói é da 7ª Câmara Criminal do TJ. Segundo os desembargadores, Cabral deve ficar na unidade até o fim do processo disciplinar, "garantindo-se o contraditório e ampla defesa, inclusive em grau recursal". A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo EXTRA.

Cabral foi transferido para três presídios distintos após uma vistoria da Vara de Execuções Penais (VEP) encontrar celulares, anabolizantes, dinheiro e lista de compras em restaurantes na unidade em que o ex-emedebista está atualmente. À época, a defesa do ex-parlamentar negou que o material encontrado era seu e rechaçou qualquer irregularidade na cela do ex-governador.

No começo de maio, Sérgio Cabral foi levado para Bangu 1, onde teria que cumprir isolamento determinado pela VEP. Entretanto, a estadia do político não durou muito no local. Após um dia no presídio de segurança máxima, o ex-governador foi transferido para custódia no Corpo de Bombeiros, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na ocasião, o secretário de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel Leandro Monteiro determinou que o ex-governador fosse levado para o Quartel do Humaitá, na Zona Sul. Monteiro entendeu que a prisão de São Cristóvão não estava apta para receber Cabral. Em um ofício obtido pelo EXTRA, Leandro Monteiro elencou ao juiz Bruno Monteiro Ruliere, da Vara de Execuções Penais, uma série de problemas que dificultariam o cárcere do ex-governador na unidade prisional. Ao final do documento, ele pedia que a decisão fosse cumprida no Humaitá.

Duas semanas depois, Cabral foi levado para o Grupamento Prisional do Corpo de Bombeiros, em São Cristóvão, por ordem da VEP.

Cabral responde a 33 processos e foi condenado em 22 deles, somando penas de 407 anos de prisão na Justiça Federal do Paraná e do Rio. Ele está preso desde novembro de 2016 e, em setembro de 2021, foi autorizado, pelo juiz Marcelo Bretas, a ser transferido da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, para o Batalhão Especial Prisional, em Niterói, na Região Metropolitana do estado.

Porém, no início deste mês, o juiz Bruno Monteiro Rulière ordenou, a transferência de Cabral e outros detentos para Bangu 1. A decisão foi tomada após uma vistoria feita pela Justiça e pela Corregedoria da PM no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Niterói, onde Cabral estava preso, que flagrou indícios de mordomias desfrutadas por detentos da unidade: toalhas bordadas com nome de Cabral, cigarro eletrônico, assistente virtual, celulares e TV com acesso à internet.

O EXTRA ainda não conseguiu respostas da PM, em relação a transferência. Em nota, os advogados Patrícia Proetti e Daniel Bialski e Bruno Borragine – que fazem a defesa de Cabral – afirmam que “a corte corrigiu uma arbitrariedade baseada em suposições, jamais em fatos e provas” e finalizaram dizendo que “o ex-governador agora voltará à unidade da Polícia Militar”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos