A cada 14 meses, em média, um novo governo assume na Itália; entenda o motivo

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A cada 14 meses, em média, um novo governo é alçado ao poder na Itália — um padrão que se repete desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com raras exceções. O próximo a assumir será o 68º da lista, depois que Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), renunciou nesta quinta-feira, em meio ao desmoronamento do governo de unidade liderado por ele desde fevereiro do ano passado.

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Draghi ocupou o cargo de primeiro-ministro por pouco mais de 17 meses, a convite do presidente Sergio Mattarella, para formar um governo "de união nacional", suprapartidário, para lidar com a pandemia e a recessão econômica que ela provocou. Antes dele, o também independente Giuseppe Conte, que assumiu em junho de 2018, comandou duas coalizões: a primeira durou 14 meses e a segunda não passou dos 16.

A crise mais recente foi desencadeada pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S, na sigla em italiano), o segundo maior partido da coalizão, que se absteve em uma votação importante para o governo no início do mês. Com isto, Draghi entendeu que não tinha mais capacidade para governar e apresentou sua renúncia. O pedido chegou a ser recusado por Sergio Mattarella, mas diante da perda de maioria parlamentar na votação de uma moção de confiança na quarta-feira, a saída de Draghi se tornou inevitável.

Antes de Draghi, 29 políticos italianos, todos homens, ocuparam o cargo de primeiro-ministro — só nos últimos 15 anos, foram sete e 11 diferentes coalizões de governo. Já a Alemanha teve 10 chanceleres (o equivalente ao cargo de premier) e 25 governos nas mais de sete décadas do pós-guerra.

O empresário bilionário Silvio Berlusconi foi o primeiro-ministro italiano que mais tempo ficou no cargo. Seu segundo mandato, entre 2001 e 2006, durou um total de 4 anos, 10 meses e 24 dias. Apenas o fascista Benito Mussolini (1883-1945) permaneceu no cargo por mais tempo que isso (20 anos e nove meses) desde a formação do Estado italiano, em 1861.

Já o primeiro governo de Amintore Fanfani será lembrado como o mais curto da História italiana contemporânea: apenas 21 dias, entre 18 de janeiro e 8 de fevereiro de 1954. Ele, porém, não é exceção. Dos 67 governos que a Itália teve até agora, 12 duraram entre três e seis meses e dois, menos de três meses.

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