A cada três vítimas de feminicídio, duas foram mortas na própria casa

Elizabeth Paik/Futura Press

Duas em cada três vítimas de feminicídio foram mortas dentro da própria casa, segundo estudo feito pelo Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo.

A pesquisa mostra, ainda, que separação é a principal motivação dos crimes.  A lei define feminicídio como o homicídio praticado contra a mulher em razão de sua condição de mulher.

O estudo levou em conta 364 casos de assassinatos e tentativas de homicídio entre março de 2016 e março de 2017.

Outra conclusão é que o crime ocorre, geralmente, quando a vítima não está protegida: em somente 3% dos casos houve pedido de assistência. De 124 mulheres que foram mortas, apenas cinco haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor.

Os dados mostram que a cada quatro crimes, um deles atingiu uma outra pessoa além da vítima. O impacto, em 26% das vezes, acontece para os filhos, familiares e outros membros do convívio. Essas pessoas podem ser prejudicadas de forma indireta, por meio do sofrimento psicológico, ou de forma direta, quando ela também sofre ataques violentos no contexto do crime, normalmente em uma tentativa de auxílio à vítima.

Enquadrar o crime como feminicídio ainda encontra algumas barreiras. A lei é relativamente nova no país, e tem o intuito de implementar medidas específicas na prevenção do assassinato de mulheres.

Segundo a pesquisa, a tipificação do crime de gênero acontece principalmente na hipótese da relação afetiva: 87% foram qualificados como feminicídio. Na ocorrência do assassinato de outras mulheres que não há ligação conjugal, 73% dos casos foram enquadrados como homicídio.

O Brasil é um dos países em que mais se matam mulheres, segundo dados do Mapa da Violência. O país ocupa, desde 2013, o 5º lugar no ranking de homicídios femininos entre 83 países.