Cade aprova compra dos setores de maioneses e margarinas da Bunge pela Seara

Gabriel Shinohara
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Infoglobo
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BRASÍLIA — O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira a aquisição dos setores de maioneses e margarinas da Bunge pela Seara. Fábricas e marcas com a Delícia e Primor passam para o controle da empresa do grupo JBS.

A operação de R$ 700 milhões foi anunciada em dezembro de 2019 e envolve três fábricas, em São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco.

O relator do processo, conselheiro Sérgio Ravagnani, entendeu que a operação não traz problemas para a concorrência no setor, que já é bem concentrado. A BRF, responsável pela Qualy tem participação superior a 50% do mercado, enquanto Bunge e Seara juntas tem 20 a 30% em faturamento e 30% a 40% em volume comercializado.

Com isso, o Cade entendeu que a rivalidade existente entre as marcas e o histórico do setor de não ter ações coordenadas que diminuam a concorrência são suficientes para assegurar a competitividade.

— Ainda que de, fato, haja um reforço importante em concentração sobretudo em torno de dois grupo s empresarias, existem elementos de mercado, com o poder de barganha dos clientes, dinâmica competitiva baseada em produtos heterogêneos e modelos de negócio da cadeia produtiva que afastam preocupações quanto ao eventual exercício de poder coordenado pelos players restantes.

No caso do óleo degomado de soja, matéria-prima para a produção de margarinas, o Tribunal entendeu que não haverá falta do insumo porque, apesar da Bunge ser a maior produtora nacional e abastecer concorrentes como a BRF, existem outros fornecedores no mercado.

Para o setor de maioneses, o entendimento foi que a operação representa somente uma substituição de agentes, com a Seara entrando no lugar da Bunge, já que a empresa compradora não atua nesse mercado ainda. A Bunge é dona da marca Soya.

Diferente da compra da Liquigás por um consórcio liderado pela Copagaz, também aprovado nesta quarta-feira pelo Cade, o negócio entre as empresas alimentícias não teve nenhuma restrição, ou seja, o Cade não recomendou alterações na operação.