Cadela Resistência vai morar com Lula e Janja no Alvorada; veja outros animais de estimação que passaram pelo palácio

Na cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, a cadelinha Resistência chamou a atenção ao subir a rampa do Palácio do Planalto junto com representantes do povo brasileiro para a passagem da faixa presidencial. Adotada pela primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja, a vira-lata foi acolhida pela vigília Lula Livre, enquanto o petista estava preso em Curitiba. Quando Lula e Janja se mudarem para o Palácio da Alvorada, Resistência também vai junto. Além dela, a residência oficial da Presidência da República já teve outros moradores caninos. Os ex-presidentes Jair Bolsonaro, Dilma Rousseff e Michel Temer também levaram seus animais de estimação.

Ao longo de seu mandato, Jair Bolsonaro teve seis diferentes cachorros. Entre eles, Augusto Bolsonaro, resgatado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas imediações do Palácio do Alvorada. Ele chegou a ganhar um perfil "oficial" nas redes sociais com o sobrenome da família, mas precisou ser devolvido após ser identificado pelo antigo tutor do animal.

O mais antigo é Theo, que já morava com a família Bolsonaro quando o ex-presidente era deputado federal. Os vira-latas Faísca, Barthô, Alvorinha e Nestor foram adotados já em Brasília. Este último é um caramelo que Bolsonaro posou para fotos no dia em que sancionou a Lei Sansão, medida que estabeleceu penas mais duras para maus-tratos a animais. Michelle chegou a montar um perfil no Instagram para todos os pets da família, o Clube 20 patas. Recentemente, ainda durante a campanha eleitoral, o casal adotou ainda um husky siberiano filhote, o George.

Michel Temer, que ocupou o Palácio de 2016 a 2018, também dividiu a residência oficial com seus cachorros. O ex-presidente tinha um labrador de nome Thor e Picolly, um cachorrinho da raça Jack Russell.

A ex-primeira-dama Marcela Temer chegou a pular em um lago dentro do Palácio da Alvorada para resgatar Picolly, que entrou na água atrás de patos que lá nadavam, mas não conseguiu retornar à margem. O incidente aconteceu enquanto ela caminhava pelo local com o filho, Michelzinho. À época, uma agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) — que acompanhava Marcela no passeio, e não prestou socorro ao animal — chegou a ser deslocada de função.

O outro cachorro da família, o labrador Thor, também ganhou notoriedade durante o governo de Temer. Ele virou alvo de memes após aparecer em uma foto postada pelo ex-presidente com uma aparência "desanimada".

A ex-presidente Dilma teve cinco companheiros caninos durante o período que integrou o governo federal, desde que assumiu a chefia da Casa Civil no governo Lula até o período que ocupou a Presidência da República, entre 2011 e 2016. A petista foi tutora de uma basset hound chamada Fafá, que tirou das ruas durante uma de suas caminhadas pelas ruas de Brasília, e de quatro ladradores, entre eles Nego, que ganhou de presente de José Dirceu em 2005, quando assumiu o ministério, e que chegou a estrelar a campanha eleitoral em 2010.

A morte de Nego, inclusive, virou caso de polícia em 2017, um ano após Dilma deixar a Presidência. O animal tinha displasia coxo-femural, doença típica dos labradores, além de mielopatia degenerativa, e, por isso, foi sacrificado aos 14 anos por orientação médica. No entanto, o deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), então presidente da Frente em Defesa dos Animais na Câmara, fez uma denúncia de que ele estaria sofrendo maus-tratos.

À época, o então procurador-geral da República Rodrigo Janot enviou o caso para a Justiça Federal, que o repassou à polícia do Distrito Federal, que deu prosseguimento à apuração. A presidente precisou divulgar um comunicado sobre o caso, onde afirmou que a investigação fazia parte de uma campanha para "achincalhar sua imagem e honra".

" A presidenta relutou e adiou o quanto pode, com a esperança de uma recuperação da saúde do labrador. E isso, infelizmente, não veio a ocorrer. Nego foi sacrificado, para tristeza de Dilma Rousseff. (....) É lamentável que, mais uma vez, queiram usar a relação de carinho e lealdade entre um cachorro e sua dona para reforçar a sórdida campanha acusatória que criou o ambiente para o golpe de 2016, por meio do fraudulento impeachment sem crime de responsabilidade" escreveu a assessoria da ex-presidente em comunicado.

Em seu primeiro mandato, Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia, com quem foi casado por quase 43 anos, tinham Michelle, uma cadela da raça fox terrier que morreu aos 14 anos, em 2005. Posteriormente, no segundo mandato do petista, o casal presidencial adotou outra cachorrinha da mesma raça, a Mel. A cadela faleceu quando o petista estava preso em Curitiba, em 2019.

Diferente dos demais cachorros presidenciais, o caminho de Resistência até a rampa do Palácio do Planalto foi um pouco mais longo. A relação de carinho entre a cachorrinha e seu atual tutor, o presidente eleito Lula, começou ainda à distância. Ela foi acolhida filhote e debaixo de chuva por Marquinho e Cabelo, metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que faziam parte do "Acampamento Lula Livre", grupo de apoiadores do petista que acampava na porta da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o então ex-presidente estava preso.

Lá, Resistência passou a vestir uma bandeira do PT, e se tornou quase que uma celebridade, posando para fotos com artistas e lideranças que passavam pelo local. Após ter problemas de saúde e precisar ser internada, a cadelinha foi levada para a casa de Janja, então namorada de Lula, e esperou meses até conhecer seu novo tutor em novembro de 2019, quando Lula foi solto.