Caetano Veloso chora ao declamar "Minha Voz, Minha Vida" em homenagem a Gal

Caetano Veloso chorou ao lembrar de Gal Costa (foto: reprodição / GloboNews)
Caetano Veloso chorou ao lembrar de Gal Costa (foto: reprodição / GloboNews)

Resumo da Notícia:

  • Caetano Veloso lembrou com carinho da amiga

  • O cantor chorou ao declamar a música “Minha Voz, Minha Vida”

  • Gal Costa morreu aos 77 anos em São Paulo

Caetano Veloso chorou e fez espectadores da GloboNews chorarem na tarde desta quarta-feira (9). Em conversa com Andréia Sadi e comentaristas, no “Estúdio I”, o cantor lembrou histórias de Gal Costa, que morreu aos 77 anos.

“Fiquei muito abalado hoje. Nós ficamos com uma intimidade muito grande na música. Quando Bethânia foi chamada para vir ao Rio, aí nós viemos. Mais tarde, Gal veio. Daí a um tempo estávamos gravando um disco chamado 'Domingo'. Tem muita beleza ali”, disse o cantor com os olhos marejados.

O baiano continuou elogiando trabalhos da grande companheira de vida. “É incrível, porque o primeiro disco era todo de 'veludo com cristal', e no 'Divino Maravilhoso' explodiu o aspecto 'labareda'", completou.

Parte dos Doces Bárbaros assim como Gal, Caetano ressaltou a importância da parceira para a música e a sociedade. “Ela era libertadora para as outras mulheres e para nós homens, para todo mundo", lembrou sobre os posicionamentos firmes da cantora ao longo da carreira.

O irmão de Maria Bethânia ainda recitou a canção “Minha Voz, Minha Vida”, com extrema emoção: “Minha voz, minha vida, meu segredo e minha revelação, minha luz escondida, minha bússola e minha desorientação, se o amor escraviza, mas é a única libertação, minha voz é precisa, vida que não é menos minha que da canção", concluiu.

Quem foi Gal Costa?

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto em sua adolescência, foi uma figura ausente.

No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal a artístico que perduraria até sua morte.

Gal foi uma revolução das vozes e dos costumes na música brasileira desde seu surgimento na cena nacional, nessa mesma década

Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)
Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)

Aproximou-se ainda adolescente aos também baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como Doces Bárbaros, responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970.

Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Logo depois, em 1971, fez um dos espetáculos de maior repercussão da história da MPB, "Fa-Tal", que viraria também um álbum cultuado.

Em 1977, o LP "Caras e bocas", que incluiu a canção "Tigresa", do cantor Caetano Veloso, marcou sua carreira pelas excelentes críticas. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP "Aquarela do Brasil", no qual gravou somente músicas de Ary Barroso.

A partir da segunda metade dos anos 1990, Gal Costa passou a reler suas antigas gravações e sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como "Modinha para Gabriela", sucesso estrondoso de Dorival Caymmi que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado, e por hits reunidos no álbum "Água Viva", de 1978, como "Folhetim", de Chico Buarque, e "Paula e Bebeto", de Milton Nascimento e Caetano.

Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)
Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)

Foi nesta fase que a cantora se incorporou mais ao mainstream das grandes redes e rádios, começando a se descolar da imagem de ícone da subversão tropicalista. A parceria com Caetano nunca esmoreceu, mas Gal passou a tirar seus hits de compositores de correntes diversas, como Chico — "A História de Lily Braun", "Futuros Amantes"— , Djavan, de "Azul" e "Nuvem Negra", e Moraes Moreira, de "Festa do Interior".

Nos últimos anos, a cantora quebrou um jejum que usara para se dedicar à família para lançar álbuns elogiados como "Recanto", de 2012, a homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, em 2014, e "Estratosférica", de 2016.

Mais recentemente ela vinha se unindo a vozes em ascensão como maneira de redescobrir sua música e prestar homenagem às novas gerações. Gravou o sucesso "Cuidando de Longe" com a sertaneja Marília Mendonça, morta há um ano, e o álbum "Nenhuma Dor", em que cantava alguns dos maiores sucessos de sua vida ao lado de nomes com Tim Bernardes, Seu Jorge, Criolo e Jorge Drexler.

Com informações das agências Folhapress, O Globo e BBC Brasil