"Caguei pra CPI", diz Bolsonaro sobre pedido de resposta sobre acusações de corrupção

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BRASILIA, BRAZIL - JUNE 29: President of Brazil Jair Bolsonaro speaks during an event to launch a new register for professional workers of the fish industry at Planalto Government Palace on June 29, 2021 in Brasilia, Brazil. Health Minister, Marcelo Queiroga, announced after the event and in conversation with journalists, that the contract with the Covaxin vaccine is suspended. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
BRASILIA, BRAZIL - JUNE 29: President of Brazil Jair Bolsonaro speaks during an event to launch a new register for professional workers of the fish industry at Planalto Government Palace on June 29, 2021 in Brasilia, Brazil. Health Minister, Marcelo Queiroga, announced after the event and in conversation with journalists, that the contract with the Covaxin vaccine is suspended. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na sua live semanal desta quinta-feira (8) que vai ignorar um pedido da CPI da Pandemia, no Senado Federal, para que ele se posicione em relação a possíveis irregularidades na compra de vacinas. "Caguei pra CPI, não vou responder nada", atacou o presidente.

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), o vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), enviaram uma carta ao presidente pedindo uma resposta sobre as acusações de corrupção, feitas pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), envolvendo o governo federal e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), na negociação da vacina indiana Covaxin.

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"Não vou responder nada para esse tipo de gente, que não estão preocupados com a verdade, e sim em desgastar o governo", disse Bolsonaro. "Porque o Renan é aliadíssimo do Lula, quer a volta do Lula a qualquer preço."

Na sequência, ele atacou Renan, Aziz e Randolfe. "Hoje, [os senadores] fizeram uma festa para eu responder perguntas na CPI. Sabe qual a minha resposta, pessoal? Caguei pra CPI, não vou responder nada. É uma CPI de sete pessoas, agora passaram pra seis, que não tão preocupadas com a verdade", afirmou, em alusão ao grupo de senadores oposicionistas.

Na sequência, questionou o que a CPI "produziu para reduzir o número de mortes" e cobrou que o ex-secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas (PT), seja convocado pela comissão. "Ele sumiu com 50 milhões de reais e não comprou um respirador sequer", acusou Bolsonaro. "Não tenho paciência pra ouvir patifes acusando o governo."

O presidente ainda xingou Renan de "imbecil", Aziz de "hipócrita" e Randolfe de "analfabeto". Ele afirmou que o presidente da CPI planejou criar uma emenda para permitir que estados e municípios comprassem vacinas, sem licitação ou autorização da Anvisa, para "escancarar as portas da corrupção". "É por isso que esses três da CPI estão revoltados."

Bolsonaro também disse que há "filtros" no Ministério da Saúde, dizendo que um servidor, sozinho, "nada pode fazer". "Não gastei 1 centavo com essa vacina [Covaxin]. Não comprei uma dose sequer."

No fim da live, Bolsonaro ironizou os senadores e disse que eles podem "deitar" esperando a sua resposta.

Queiroga vai determinar percentual de vacinados para desobrigar uso de máscara, diz Bolsonaro

O presidente voltou a falar sobre sua ideia de desobrigar o uso de máscaras no país, que ele levou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. "Assim como estados dos Estados Unidos que aboliram e desobrigaram o uso da máscara, conversei com o ministro Queiroga e ele está definindo o percentual da população vacinada pra adotar o mesmo procedimento aqui", declarou.

"Deixo bem claro: se ele recomendar, a partir de tal data, o não uso da máscara, a não obrigatoriedade, quem quiser ficar usando, fique à vontade. Mas quem achar que não deve mais usar porque já foi vacinado ou já foi contagiado, é um direito dele. Democracia é isso", disse Bolsonaro, novamente equiparando, sem qualquer ressalva, a condição de pessoas vacinadas e infectadas.

Ao mesmo tempo em que defendeu a atuação da compra de vacinas por parte do governo federal, ressaltando que "não teve uma vacina comprada por governador ou prefeito", Bolsonaro voltou a dizer que, se depender dele, a imunização não será obrigatória.

"Quem achar que deve se vacinar, que se vacine. Quem achar que não deve, não se vacine. Afinal de contas, quem acredita na vacina está protegido, e quem não acredita, cuida da vida dele."

"E não tem esse papo que quem não usa está estimulando outras pessoas a não usar. Isso é democracia", disse Bolsonaro, em referência ao uso de máscaras.

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