Caiado diz que há transmissão comunitária de coronavírus em Goiás

Naira Trindade

BRASÍLIA — Ao pedir o fim das manifestações neste domingo em Goiás, o governador Ronaldo Raiado (DEM) anunciou que o estado já tem transmissão comunitária de coronavírus, com quatro casos confirmados. Com isso, Goiás passa a ser o terceiro estado com contaminação sem identificação do transmissor, atrás de Rio de Janeiro e de São Paulo.

A transmissão comunitária é quando se perde a capacidade de relacionar casos confirmados através de cadeias de transmissão para um grande número de casos ou pelo aumento de testes positivos através de amostras sentinela (testes sistemáticos de rotina de amostras respiratórias de laboratórios estabelecidos), segundo o Ministério da Saúde.

Apesar do alerta de Ronaldo Caiado, Goiás ainda não consta nos dados do Ministério da Saúde como estado passível de contaminação comunitária. A última atualização do Ministério da Saúde especifica apenas Rio, com 24 casos confirmados, e São Paulo, com 127.

Neste domingo, Caiado fez um apelo à população de Goiânia durante as manifestações para não se aglomerarem na Praça Cívica para evitar a proliferação do novo coronavírus. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o governador ordenando a retirada de carro de som do local. O pedido foi foi mal recebido pelos manifestantes, e Caiado saiu do evento sob vaias.

— Vocês vão estar chorando na porta do Palácio. O que vocês precisam de ter é seriedade. Não se mostra apoio ao governo colocando em rico a sua população — afirmou o governador.

Em vídeo publicado em redes sociais, Caiado aparece com um microfone nas mãos, pedindo atenção dos ativistas para dizer que enfrentou a “esquerda no Brasil”, e afirmando ser um dos poucos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Em seguida, ele pede que as pessoas sejam responsáveis e não se aglomerem.

— Vocês têm de entender uma coisa só. Antes de ser governador de estado, eu sou médico. E vocês precisam entender, a menos que vocês não estejam olhando para o mundo, o que está ocorrendo. Vocês precisam ter responsabilidade e não fazer com que aglomerações provoquem a disseminação do vírus do coronavírus — afirmou.

— É um risco para a população. Estão entendendo bem? Essa é minha ordem e minha ordem será seguida. Não preciso dos seus votos. Eu sou médico, eu trato é de vidas. Eu trato é de vidas. Quando seu filho estiver doente, você vai me procurar como médico. Não tem carro de som. Não tem carro de som. Isso aqui vai contaminar todo mundo — afirmou.