Caiado indica 'internação hospitalar' e acusa Maia de fazer leilão para sair DEM

Bruno Góes, Paulo Cappelli e André de Souza
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BRASÍLIA - O governador de Goiás e colega de partido de Rodrigo Maia (DEM-RJ), Ronaldo Caiado, reagiu nesta segunda-feira às críticas feitas pelo ex-presidente da Câmara. Em entrevista ao Valor Econômico, Maia disse que ACM Neto, presidente do DEM, e Caiado trabalharam para que a legenda abandonasse o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP). De saída da sigla, Maia disse que faltou "caráter" a ambos. Em nota, Caiado respondeu no mesmo tom.

O governador acusou o ex-presidente da Câmara de ter esperado uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para que pudesse concorrer a mais um mandato. A Corte, porém, decidiu que Maia não poderia disputar a reeleição em uma mesma legislatura.

"A sua entrevista não deve ser considerada pela classe política porque é indicadora de internação hospitalar. Rodrigo tentou furar a Constituição e não tinha trabalhado outro candidato. Com a negativa do STF, tentou um movimento desesperado, de imposição, sem qualquer unidade e coerência. Mas, depois de ter sido eleito por três vezes presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo achou que era proprietário das decisões de todos os deputados do Democratas e dos demais da Câmara. Ao reagir desta maneira, desrespeitou toda a bancada de um partido que sempre lhe deu apoio nos momentos mais difíceis. Agir da forma como Rodrigo agiu é o que, de fato, demonstra falta de caráter", escreveu Caiado.

Na entrevista ao Valor, Maia disse que ACM Neto "entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Palácio do Planalto”. Avaliou que o partido está alinhado à extrema-direta e que foi traído. Segundo ele, o presidente do DEM havia lhe afiançado que não haveria acordo com Bolsonaro.

- Foi um processo muito feio do Neto e do Caiado. Ficar contra é legítimo, falar uma coisa e fazer outra não. Falta caráter, né? - disse Maia.

Caiado disse ainda que Maia faz um "leilão" para sair do partido.

"O deputado Rodrigo Maia, infelizmente, foi acometido por uma síndrome que atinge com muita frequência as pessoas que não aceitam deixar o poder: 'síndrome da ansiedade de poder'. A foto escolhida pelo Valor Econômico (Maia aparece com as duas mãos na cabeça, como se estivesse preocupado) identifica a face de desequilíbrio do paciente. E o mais grave: ele faz questão de deixar claro que está saindo do Democratas e colocando seu nome a LEILÃO".

Também nesta tarde, a bancada do DEM se pronunciou por meio de nota do líder na Câmara, Efraim Filho (DEM-PB). Ele reitera posição manifestada por Caiado, ao dizer que os deputados não são tutelados.

"O Democratas é um partido plural e não tem dono. A bancada da Câmara não tem dono. O líder é eleito pela vontade expressa da maioria. Essa mesma maioria, que torna a decisão legítima, faltou a Rodrigo Maia para compor o bloco de centro-esquerda na disputa pela presidência (...) Era a sua sucessão, cabia a ele construir os consensos e conduzir o processo. Na democracia, maioria não se impõe, maioria se conquista".

A nota também faz um desagravo a ACM Neto.

"Somos testemunhas de que o Presidente ACM Neto buscou convencer deputados a alinharem com Rodrigo, fez apelos a bancada, mas diante da decisão adversa da maioria, buscou a neutralidade num gesto de respeito a Rodrigo Maia".

Nesta segunda-feira, sem citar nomes, Bolsonaro atacou Maia. Na entrevista, Maia diz que irá para um partido de oposição ao governo.

— Graças a Deus mudou a presidência da Câmara — disse Bolsonaro em conversa com apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada, concluindo: — Esse cara que saiu da Câmara disse que vai encarnar a verdadeira oposição a meu governo. Ele não tem que ser oposição a meu governo, tem que ser favorável ao Brasil. Enquanto se faz política barata, o povo sofre.