Caio Coppolla não revelou que Moraes recebeu R$ 60 milhões para fraudar urnas

Nas redes, usuários espalham que Caio Coppolla teria revelado que o ministro Alexandre de Moraes teria recebido R$ 60 milhões para fraudar urnas eletrônicas, mas informação é falsa (Foto: Anadolu Agency via Getty Images / Mateus Bonomi)
Nas redes, usuários espalham que Caio Coppolla teria revelado que o ministro Alexandre de Moraes teria recebido R$ 60 milhões para fraudar urnas eletrônicas, mas informação é falsa (Foto: Anadolu Agency via Getty Images / Mateus Bonomi)
  • Caio Coppolla teria revelado que Alexandre de Moraes recebeu R$ 60 milhões para fraudar urnas segundo boatos nas redes

  • Usuários afirmam que o pagamento teria sido feito por Lula

  • É falso, porém, que Coppolla revelou um pagamento indevido a Moraes

Usuários compartilham nas redes sociais que Caio Coppolla teria revelado um esquema de fraude nas eleições envolvendo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Alexandre de Moraes. Segundo as publicações, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria pagado R$ 60 milhões a Moraes para que ele fraudasse as urnas.

"​​Alexandre de Moraes desesperado pego com 60 milhões pagos por lula para fraudar urnas. ministro da defesa e exército já encontram com documentos gravações que compravam as fraudes e conspiração contra a pátria [sic]", diz o texto sobreposto à imagem que circula nas redes.

Mas é falso que Coppolla tenha revelado qualquer pagamento indevido a Moraes. A captura de tela que circula mostra, na verdade, um conteúdo compartilhado em um grupo de apoio ao comentarista político.

Captura de tela de uma publicação alegando que Caio Coppolla teria revelado que Alexandre de Moraes teria recebido R$ 60 milhões para fraudar a eleição de 2022 (Fotos: Facebook / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação alegando que Caio Coppolla teria revelado que Alexandre de Moraes teria recebido R$ 60 milhões para fraudar a eleição de 2022 (Fotos: Facebook / Reprodução)

A imagem viralizada já evidencia que o conteúdo, na verdade, foi compartilhado em um grupo. Isso é destacado pelo símbolo que aparece ao lado do nome "Damaris Bernardino Dos Santos", perfil responsável pela publicação. Ao buscar por grupos de nome "Caio Coppolla", a reportagem do Yahoo! Notícias identificou um que utiliza a mesma imagem que aparece na captura de tela viral.

Ao buscar supostas revelações sobre o pagamento indevido a Alexandre de Moraes nos perfis oficiais de Caio Coppolla no YouTube, Instagram e Twitter, nada foi identificado.

O conteúdo que circula foi publicado, portanto, em um grupo de apoio ao comentarista e não por ele próprio.

Buscas no Google por palavras-chave não identificaram qualquer notícia sobre um suposto pagamento indevido ao ministro do STF.

Há indícios de fraude nas eleições?

É falso que qualquer fraude nas urnas tenha sido comprovada. Ao contrário, instituições que atuaram como observadores nas eleições brasileiras reforçaram a credibilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira como exemplar para a América Latina. A Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) também afirmou que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível". O observador concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) elogiou a imparcialidade do TSE e ressaltou a confiabilidade das urnas. A instituição defendeu que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral e classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias". O TCU (Tribunal de Contas da União) realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação e não identificou qualquer divergência nas mais de 5 milhões de informações de boletins de urna que analisou.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo Boatos.org.