Escócia inicia o longo e último adeus à rainha Elizabeth II

O caixão de Elizabeth II chegou a Edimburgo neste domingo (11) após deixar o castelo escocês de Balmoral, onde a rainha morreu na quinta-feira aos 96 anos.

Após uma viagem de seis horas, o carro fúnebre entrou no Palácio de Holyroodhouse, na capital escocesa, pouco antes das 16h30 locais (12h30 em Brasília), carregando o caixão de carvalho coberto com a bandeira real escocesa e uma coroa de flores brancas em seu interior.

Como durante sua jornada de quase 300 quilômetros pelo verde campo escocês, milhares de pessoas se alinharam pelas ruas de paralelepípedos de Edimburgo para assistir e aplaudir a passagem do cortejo fúnebre.

"Sua Majestade nos deu sua vida e tempo sem exigir nada em troca. Prestar homenagem a ela de uma maneira tradicional foi uma forma de agradecê-la por tudo o que ela fez", disse Mark Lindley-Highfield, de 47 anos.

O caixão descansará na sala do trono do palácio, antes de ser transferido na segunda-feira em procissão para a catedral de Saint Giles, onde será realizado um serviço religioso na presença do rei Charles III e onde as pessoas poderão se despedir de sua "amada mãe".

Em Londres, o caixão será transportado em procissão do Palácio de Buckingham ao Palácio de Westminster na quarta-feira para despedidas dos britânicos até o dia do funeral de Estado.

O funeral da soberana acontecerá na Abadia de Westminster, onde a jovem princesa Elizabeth Alexandra Maria se casou em novembro de 1947 e onde em 2 de junho de 1953 foi coroada rainha após a morte de seu pai George VI em 6 de fevereiro de 1952.

- "Reunidos pelo luto" -

Embora o protagonismo tenha sido da falecida soberana após a proclamação do novo rei Charles III, a aparição dos príncipes William e Harry, juntos, com suas esposas Catherine e Meghan, estamparam as primeiras páginas dos jornais deste domingo.

"Reunidos pelo luto", foi a manchete do Sunday Telegraph, com uma foto dos dois casais caminhando juntos em Windsor. O Sunday Times informou que "longas negociações" foram necessárias entre os casais para administrar o momento midiático.

A morte de Elizabeth II após sete décadas no trono chocou o Reino Unido, a Commonwealth (Commonwealth of Nations) e o mundo. Seu filho Charles III foi proclamado rei do Reino Unido no sábado e, neste domingo, da Austrália e da Nova Zelândia.

O Sinn Fein, partido a favor da reunificação da Irlanda, não participou da celebração em Belfast. O partido reconheceu "o papel muito positivo que a rainha desempenhou na promoção da paz" após décadas de agitação entre republicanos católicos e unionistas protestantes, mas considerou que a proclamação de Charles III foi apenas para "aqueles que são leais à Coroa".

O novo monarca de 73 anos visitará Belfast na terça-feira para receber condolências oficiais, como parte de uma turnê pelas nações do Reino Unido que começará na segunda-feira em Edimburgo e o levará a Cardiff na sexta-feira.

A presença planejada da nova primeira-ministra, Liz Truss, nessas cerimônias em todo o país provocou críticas de que a conservadora tentaria tirar vantagem política da situação.

Dias antes, seu antecessor, Boris Johnson, prestou uma homenagem emocionada à soberana, elogiando seu "humor", "ética de trabalho" e "senso de história", referindo-se à monarca como "Elizabeth, a Grande".

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