Caixa e Banco do Brasil decidem não apoiar manifesto em defesa da democracia assinado pela Febraban

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil decidiram não apoiar a assinatura, por parte da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do manifesto empresarial “Em Defesa da Democracia e da Justiça”, encaminhado à entidade pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), segundo executivos ligados às instituições financeiras públicas.

O BB e a Caixa fazem parte da entidade de bancos, que reúne 116 instituições — entre os quais estão os maiores do país, como os privados Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Safra e BTG Pactual. De acordo com fontes ligadas aos bancos públicos, a Caixa e o Banco do Brasil votaram contra a subscrição do manifesto pela Febraban.

Em nota, a Febraban afirma que a decisão de apoiar o manifesto foi tomada por maioria de membros de suas instâncias de governança interna.

Os representantes dos bancos públicos afirmaram nas reuniões internas que veem esse manifesto como político e dirigido ao presidente Jair Bolsonaro — que tem reiteradamente questionado, sem provas, a segurança das urnas. Por isso, decidiram não apoiar o manifesto.

Procurado, o Banco do Brasil disse que não comentará. A Caixa não se pronunciou.

No ano passado, a Febraban foi palco de uma crise, quando Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil ameaçaram deixar a entidade, caso ela oficializasse a adesão a um outro manifesto em prol da democracia — que antecedeu os atos de 7 de setembro organizados por apoiadores de Bolsonaro.

Dessa vez, de acordo com fontes dos bancos públicos, não houve ameaças de debandada. O mais combativo na época era o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, muito próximo de Bolsonaro e que no mês passado deixou o cargo após denúncias de assédio — ele foi substituído por Daniella Marques no comando do banco.

O manifesto tem sido articulado pelo presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, e um grupo de grandes investidores, empresários e advogados, e deve ser divulgado ainda nesta semana. Gomes consultou, na noite de segunda-feira, a diretoria da federação que preside e obteve, também, apoio majoritário ao texto.

O texto pretende mostrar que quaisquer ataques às instituições e ao estado de direito não têm respaldo das grandes empresas brasileiras e, apesar de não citar diretamente Jair Bolsonaro, é uma crítica à retórica que o presidente tem adotado para questionar, sem provas ou respaldo na realidade, o sistema eleitoral brasileiro.

Apesar de estar em gestação há mais tempo, o texto articulado pelo presidente da Fiesp será divulgado após a Carta aos Brasileiros, manifesto organizado por juristas, advogados e pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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