Caixa Econômica: Maria Fernanda Coelho é nome mais cotado para presidir o banco

Maria Fernanda Ramo Coelho, ex-presidente da Caixa Econômica Federal nos governos Lula e Dilma entre 2006 e 2011, é o nome mais cotado para assumir o banco novamente. Funcionária de carreira aposentada, ela é próxima ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

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Segundo interlocutores, Maria Fernanda preferia assumir um cargo relevante no Ministério das Cidades, que será recriado. Ela fez parte do núcleo temático da transição que analisou o tema. Mas, durante as negociações políticas para formar a equipe ministerial, o nome da bancária perdeu força para assumir uma posição na Esplanada.

Contudo, ela é o nome preferido de Lula para o comando do banco estatal, braço financeiro das políticas sociais do governo.

Maria Fernanda ingressou na Caixa em 1984 e chegou à cúpula do banco em 2006, com apoio dos sindicato dos bancários de Recife, sua cidade natal.

Na Caixa, Maria Fernanda substituiu Jorge Mattoso, que deixou o cargo após a quebra do sigilo bancário do jardineiro Francenildo dos Santos Costa. O escândalo também levou à queda do então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que frequentava à mansão em Brasília, onde Francenildo trabalhava.

Na direção do banco, a executiva participou da implementação da política habitacional para baixa renda, Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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Maria Fernanda deixou o cargo em 2011, após a descoberta de fraudes bilionárias no Banco Panamericano, que pertenceu ao empresário Silvio Santos. No fiml de 2009, a Caixa comprou participação no banco, um negócio que foi costurado no Palácio do Planalto.

A explicação oficial para a saída dele foi o convite da então ministra do Planejamento Miriam Belchior para assumir uma diretoria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington. Maria Fernanda foi procurada, mas não quis se manifestar.

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Além disso, na equipe de transição, passou a ganhar força o nome da senadora Kátia Abreu (PP-TO) para assumir a presidência do Banco do Brasil (BB). Ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff, a senadora conta com a simpática da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para o posto. Há um desejo de que o banco seja presidido por uma mulher no governo Lula.

Segundo interlocutores, Kátia Abreu foi sondada para ocupar uma vice-presidência do BB, mas o que ela deseja mesmo é estar na presidência. A ex-ministra é ligada ao agronegócio, um dos principais focos do BB.

Petistas oriundos do Sindicato dos Bancários defendem uma solução caseira para o BB, mas há dificuldades de encontrar uma executiva com perfil para comandar o banco. Segundo integrantes do BB, a política de promover mulheres nos cargos de direção mais altos da organização é ainda recente.

Um dos nomes defendidos por bancários é da funcionária aposentada do BB Ana Cristina Rosa Garcia. Ela foi diretora de Administração e Finanças da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e de Gestão do BB. Conta a seu favor o fato de ter participado do programa de igualdade de gênero no BB, mas não teria a experiência exigida para a presidência.

Da mesma forma, a atual diretora de Soluções em Empréstimos e Financiamentos do BB, Daniela Gonçalves, sofre pela falta de experiência, por estar no cargo há poucos meses.

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Caso a indicação de Kátia Abreu seja confirmada, o que pode ocorrer somente depois da posse, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva completaria a sua cota de ter duas mulheres no comando dos principais bancos públicos.

Os bancos públicos terão papel social reforçado no futuro governo, na concessão do crédito para setores que movimentam a economia, o agronegócio e a construção civil. Faz parte da estragégia incluir as duas instituições no programa "Desenrola Brasil" para ajudar a resolver o problema dos endividados.

Procurada, a senadora Kátia Abreu não quis se manifestar.