Calçada da avenida do zoológico de SP tem só um lado reformado

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.01.2018 - Vista da fachada do Zoo Safari, na zona sul de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.01.2018 - Vista da fachada do Zoo Safari, na zona sul de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Menos de dois meses após a gestão João Doria (PSDB) conceder para a iniciativa privada a administração do Jardim Botânico e do Jardim Zoológico, ambos na Água Funda (zona sul da capital paulista), já é possível notar tratamentos diferentes em calçadas frente a frente na avenida Miguel Estefano.

Enquanto o pavimento que faz limite com os pontos turísticos foi completamente revitalizado há menos de duas semanas pela prefeitura, recebendo piso novo, o outro lado, na altura do Jardim Botânico, está completamente esquecido, com passeio inutilizável, devido irregularidades causadas por buracos, grades de proteção arrebentadas e muros destruídos após batidas de veículos. O único benefício recebido pelas equipes de manutenção da gestão Ricardo Nunes (MDB) foi a pintura de guias e postes.

Procurada, a concessionária Reserva Paulista, que apresentou a melhor proposta para cuidar dos locais --R$ 417 milhões em investimentos-- informou que desde setembro está em transição com o estado para que possa assumir definitivamente, mas que não realizou ou pediu obras no local.

Em nota, a Secretaria Municipal das Subprefeitura alegou que revitalizou 560 m² da calçada localizada na avenida, no intuito de atender quem ali se exercita, sem explicar sobre não ter atuado do outro lado.

Assim como o Jardim Botânico e o zoológico, tal espaço sem o devido cuidado também faz parte da área denominada parque estadual das Fontes do Ipiranga, ou parque do Estado. O perímetro sem manutenção abriga o hospital psiquiátrico da Água Funda, sob responsabilidade da secretaria estadual da Saúde, que afirmou não ser responsável por cuidar das calçadas ou gradis mencionados.

A falta de uma calçada adequada nos dois lados da via é sentida, principalmente, por aquelas pessoas que buscam o ar livre e o visual das áreas verdes para se exercitar. Por não ser larga o suficiente e como em alguns horários a quantidade de pessoas é grande, segundo frequentadores dali, é necessário ir para rua.

Por volta das 9h30 desta quinta-feira (4), a aposentada Maria Aparecida da Silva, 71 anos, caminhava com seu filho, o cabeleireiro Thiago da Silva Menezes, 38, quando reclamou da diferença de tratamento por parte do poder público. "Displicência de um modo geral. Tem que arrumar o outro lado também. Ou faz bem feito ou não faz", disse.

A mulher também comentou sobre a dificuldade em caminhar pelo local em horários quando há muita gente, dificuldade que ela apontou não existir se ambos os lados estivessem em perfeitas condições. "É muito estreito. Quando você está andando, às vezes, tem que dar espaço para alguém". Menezes classificou a situação como descaso, já que, para ele, é necessário uma avenida possuir calçadas revitalizadas dos dois lados.

No mesmo horário, uma mulher pedalava em sua bicicleta pelo meio-fio da avenida Miguel Estefano junto ao passeio esburacado e grades soltas. Era a dona de casa Simone Castilho, 48. A mulher conta ser uma frequentadora diária dali, já que quando não está a bordo de sua bike, ela passeia a pé pelo local, e, também, disse ter notado a diferença de tratamento de um ponto para o outro.

"Eles deram atenção para esse lado. O outro lado está largado. Dependendo do horário, é muita gente indo e vindo. Às vezes, você tem que ir para rua para desviar. É completamente desproporcional."

Em nota, a prefeitura afirmou que o "serviço foi feito em atendimento à população do bairro, que utiliza o trecho para práticas esportivas, como caminhadas e corridas".

Do mesmo lado em que há os problemas relatados está uma placa que anuncia a obra de recuperação de talude no hospital psiquiátrico da Água Funda. Sob um orçamento de R$ 890 mil, a execução, iniciada em abril, tinha prazo de 150 dias, já vencido.

O ponto onde está a placa sofreu um deslize de terra após uma forte chuva há alguns anos, por isso a iniciativa de tentar recuperar o barranco e evitar novas movimentações de terra. No entanto, segundo quem passava por ali, alguns homens colocaram tapumes no local no início deste ano, mas não retornaram mais.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que não há interrupção na obra citada e que ela ocorre dentro do prazo. "A Secretaria de Estado da Saúde aguarda a liberação do município de São Paulo para a remoção de árvores em decorrência da necessidade da construção de um muro de contenção em torno do talude do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (Caism) Água Funda". A pasta detalhou que dispõe de projeto de readequação ambiental para o replantio de árvores no local.

Ainda de acordo com a secretaria, a obra também contempla a adequação da calçada e implantação de grades ao redor da unidade, que segue atendendo normalmente.

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