Calculadora do GLOBO mostra impacto de aumento da expectativa de vida na aposentadoria após reforma

Entenda as regras de transição

RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira, a Tábua de Mortalidade de 2018, que trata da expectativa de vida da população. De acordo com os dados, o brasileiro continua vivendo mais ano a ano. Agora, a média para ambos os sexos é de 76 anos e três meses. No ano anterior, a projeção era de 76 anos.

Essa mudança afeta diretamente o fator previdenciário do INSS, que funciona como uma espécie de redutor dos benefícios de quem se aposenta ainda jovem. A ideia é que quanto mais o brasileiro vive, por mais tempo tende a receber um benefício da Previdência.

A lógica do fator é exatamente reduzir o valor pago àqueles que se aposentam cedo, estimulando-os a continuar na ativa — e contribuindo — para ter um benefício maior no futuro, que será pago por menos tempo.

A reforma da Previdência, promulgada em 12 de novembro, criou uma idade mínima para a aposentadoria (62 anos, para mulheres, e 65, para homens). Mas criou também regras de transição para aqueles que já estavam no mercado, para que não fossem tão prejudicados.

A mudança na expectativa de vida do brasileiro — com a consequente alteração da tabela do fator previdenciário do INSS — muda uma dessas regras de transição, válida para os trabalhadores da iniciativa privada.

Trata-se da regra do pedágio de 50% válida para quem, na data da reforma, estava a dois anos ou menos de se aposentar com 30 anos de contribuição (mulher) ou 35 anos (homem). Neste caso, é preciso cumprir 50% do tempo que faltava.

Se era preciso comprovar mais dois anos, por exemplo, essa pessoa terá que trabalhar e contribuir por mais três anos. Para esta regra específica, o fator previdenciário não foi abolido. Por isso, os novos dados do IBGE afetam o cálculo do tempo para se aposentar e o valor do benefício. A calculadora da Previdência do GLOBO já foi atualizada.