'Caldo entornou', diz Mourão sobre aumento do desmatamento na Amazônia

MONICA PRESTES
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***ARQUIVO**SÃO PAULO, SP, 12.11.2019 - O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, discursa após receber de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, a Ordem do Mérito Industrial em evento em homenagem às Forças Armadas, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1911122027209958
***ARQUIVO**SÃO PAULO, SP, 12.11.2019 - O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, discursa após receber de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, a Ordem do Mérito Industrial em evento em homenagem às Forças Armadas, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1911122027209958

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - "Chega um momento em que o caldo entorna. E o caldo entornou no nosso momento", declarou o vice-presidente, Hamilton Mourão, ao negar responsabilidade do governo Bolsonaro sobre o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia.

"Os problemas não aconteceram desde 1º de janeiro", justificou o presidente do Conselho da Amazônia, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta (5) em Manaus, no segundo dia de viagem de uma comitiva federal ao Amazonas.

Programada para durar três dias, foi planejada com o intuito de mudar a imagem negativa do Brasil frente a governos estrangeiros, que cobram maior proteção à floresta e controle do desmatamento e das queimadas, que bateram recordes em 2020.

A comitiva chegou ao Amazonas na última quarta-feira (4), trazendo, além do vice-presidente, que também é presidente do Conselho da Amazônia, os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e da Defesa, Fernando Azevedo. A ida do ministro da Saúde e das Relações Exteriores foi cancelada.

Também embarcaram na viagem os chefes de missões diplomáticas de dez países: África do Sul, Peru, Espanha, Colômbia, Canadá, Suécia, Alemanha, Reino Unido, França e Portugal, além de representantes da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) e da União Europeia e jornalistas estrangeiros.

O descontrole das queimadas e o avanço do desmatamento na Amazônia levou oito países a enviarem uma carta ao governo Bolsonaro, em setembro, ameaçando cortar importações de produtos brasileiros, caso o Brasil não adotasse medidas efetivas de combate à devastação da floresta.

De acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de janeiro a 4 de novembro foram registrados 94.437 focos de queimada na Amazônia, 5% a mais do que os 89.176 focos identificados em todo o ano passado.

Já os alertas de desmatamento cresceram 34,5% na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020, em comparação com o mesmo período dos anos anteriores, aponta o Inpe.

Rota exclui áreas críticas Ainda na quarta-feira, a comitiva fez um sobrevoo na região da BR-163, no Pará, e na Região Metropolitana de Manaus (RMM). O trajeto escolhido pelo governo foi criticado por ambientalistas por não abranger as áreas onde o desmatamento e as queimadas são mais críticas, como a região de Apuí, no sul do Amazonas, que foi ignorada pelo cronograma.

O Greenpeace chegou a divulgar um roteiro alternativo destinado aos representantes dos dez países, que passaria, além do sul do Amazonas, pelo Parna (Parque Nacional) e pela Flona (Floresta Nacional) Jamanxin, pela Esec (Estação Ecológica Terra do Meio e pela TI (Terra Indígena) Cachoeira Seca, no Pará, onde crescem o garimpo ilegal e o desmatamento.

"Apesar do tempo nublado foi possível avistar áreas protegidas e outras atingidas pelo garimpo ilegal e incêndios", disse Mourão, que justificou o traçado alegando que a Amazônia é "muito grande" e que seria "impossível" mostrar todas essas áreas em apenas três dias.

Por isso, o governo escolheu sobrevoar áreas onde há "cicatrizes" na floresta, como são chamadas as áreas de desmatamento recente e também áreas preservadas e de programas federais, como os de assentamento, explicou o vice-presidente.

No entanto, modelos de produção mais criticados na Amazônia, que são as grandes monoculturas e os grandes desmatamentos para a pecuária, não foram "visitados" no sobrevoo.

Para o ministro Augusto Heleno, os relatos de ambientalistas e jornalistas sobre "incêndios gigantes" na Amazônia "não correspondem à verdade".

"Temos 85% de floresta preservada. Um incêndio gigantesco na Amazônia, a fumaça chegaria a Londres", afirmou o ministro, que reconheceu que houve um atraso no combate às queimadas. "Houve um atraso, nossos recursos estavam limitados, estávamos em plena pandemia."

Programação Em Manaus, a comitiva também visitou na quarta (4) instalações militares, como o Cigs (Centro Integrado de Guerra na Selva) e o Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia).

Nesta quinta (5), a programação incluiu a visita ao PIC (Projeto Integrado de Colonização) Bela Vista, em Iranduba, região metropolitana de Manaus, um passeio pelo Encontro das Águas, visita ao laboratório de investigação de crimes ambientais da PF (Polícia Federal) no Amazonas e uma recepção no CMA (Centro Militar da Amazônia), onde ocorreu a coletiva de imprensa, iniciada com cerca de duas horas de atraso.

No último dia da visita ao Amazonas, a comitiva liderada por Mourão seguirá para a região do Alto Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira, onde visitará a Casa de Apoio à Saúde Indígena, e na comunidade Maturacá, onde conhecerão o pelotão de fronteira do Exército.