Califórnia processa empresa de jogos eletrônicos por assédio sexual e discriminação

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RIO — O estado norte-americano da Califórnia entrou com um processo contra a empresa de jogos eletrônicos Activision Blizzard, desenvolvedora de videogames famosos mundialmente, como "Call of Duty" e "World of Warcraft", por má conduta no local de trabalho. Houve denúncias de assédio sexual e discriminação por gênero. Segundo relatos, funcionárias recebiam menos para a mesma função realizada por homens. Um dos casos registrados no documento cita o suicídio de uma colaboradora como resultado do tratamento no horário de serviço. Antes de sua morte, colegas homens teriam compartilhado fotos explícitas da mulher.

De acordo com o "New York Times", o Departamento de Justo Emprego e Moradia da Califórnia investigou o caso por dois anos até abrir uma ação nesta terça-feira, dia 20, no Tribunal Superior de Los Angeles. A agência estadual identificou uma cultura de "frat boy", ou seja, "garoto de fraternidade", no ambiente de trabalho da empresa. Essa expressão refere-se ao esteriótipo de estudantes jovens quando fazem parte de um clube na faculdade, adotando um comportamento imaturo. Mais do que isso, porém, as denúncias mencionam assédio sexual, além de executivos brincarem abertamente sobre estupro e consumirem bebidas alcoólicas na empresa. A conduta incluía ainda ações impróprias com funcionárias em suas mesas de trabalho. As mulheres também passavam por menos oportunidades de serem promovidas do que os homens com funções semelhantes. A empresa negou as acusações.

O departamento californiano descreveu o ambiente na Activision como "terreno fértil para o assédio e a discriminação contra as mulheres" e, na ação, pede que a Activision compense os funcionários por salários não pagos, forneça uma recompensa adicional e pague indenização.

"As funcionárias são submetidas a assédio sexual constante, incluindo ter que se defender continuamente de comentários sexuais indesejados e avanços de seus colegas de trabalho e supervisores do sexo masculino e serem apalpadas nos (eventos) 'rastejantes' e em outros eventos da empresa", acrescentou.

A Activision, sediada em Santa Monica, com um valor de mercado de US$ 70 bilhões, se pronunciou, dizendo que o estado da Califórnia não discutiu adequadamente as acusações antes de processar, informou a "BBC". Com quase 10 mil funcionários, a empresa também criticou a exposição do caso de suicídio.

"Estamos enojados com a conduta repreensível da agência de trazer a denúncia do trágico suicídio de uma funcionária cujo falecimento não tem qualquer relação com este caso e sem consideração por sua família enlutada", escreveu a Activision. "É esse tipo de comportamento irresponsável de burocratas estaduais irresponsáveis que está expulsando muitos dos melhores negócios do estado da Califórnia".

Em nota, a companhia disse que procura tanto pagar seu pessoal de forma justa quanto melhorar a diversidade e sua cultura nos últimos anos. A Activision acrescentou que promoveu treinamento anti-assédio obrigatório e criou um canal de denúncias anônimas, que são investigadas internamente.

"Não há lugar em nossa empresa ou em qualquer setor para má conduta sexual ou assédio de qualquer tipo", afirmou a Activision. "Em casos relacionados à má conduta, foram tomadas medidas para resolver o problema".

A agência disse que tentou resolver a situação antes de entrar com a ação judicial, mas a investida não deu resultado.

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