Calor fora de época e maior flexibilização lotam parques na capital paulista

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SÃO PAULO, SP, 21.08.2021: CALOR-SP - Movimento nos parques de São Paulo por causa da onda de calor em São Paulo. Na foto: frequentadores do parque Villa Lobos, na zona oeste de São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 21.08.2021: CALOR-SP - Movimento nos parques de São Paulo por causa da onda de calor em São Paulo. Na foto: frequentadores do parque Villa Lobos, na zona oeste de São Paulo. (Foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O calor fora de época, em pleno inverno, ajudou a encher parques na capital paulista neste sábado (21), primeiro fim de semana em que passou a vigorar uma maior flexibilização dos protocolos de prevenção à covid-19 no estado de São Paulo.

Apesar da recomendação de especialistas para que se evite exercícios físicos em dias de ar seco, principalmente entre 11h e 17h, neste sábado os parques Ibirapuera e Villa Lobos, nas zonas sul e oeste respectivamente, estavam com milhares de frequentadores, inclusive praticando atividades físicas e, em alguns casos, sem máscara de proteção.

Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas), da Prefeitura de São Paulo, a Defesa Civil da cidade decretou "estado de atenção", no início da tarde deste sábado, com relação à baixa umidade do ar, que chegou aos 15%, segundo o Inmet.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece que índices de umidade do ar, abaixo dos 60%, são inadequados para a saúde humana.

Apesar disso, o patinador de velocidade Guilherme Almeida Joaquim, 23 anos, treinava em uma das pistas do parque Villa Lobos, por volta das 15h30 deste sábado, se desviando de dezenas de pessoas que usavam o local para se exercitar ou relaxar.

Com a máscara no queixo, ele afirmou "ser muito difícil respirar" enquanto anda em altíssima velocidade com seus patins, tendo nariz e boca obstruídos. A situação, acrescentou, fica pior em dias secos, como este sábado. "Mas não me sinto inseguro [em infectar ou ser infectado pela Covid-19], pois tudo aqui é aberto e não estou aglomerado com nenhuma pessoa", justificou.

Os gramados do parque, assim como as pistas de caminhada e corrida, estavam tomados por milhares de pessoas, porém, em sua grande maioria distanciadas. Foram encontradas aglomerações pontuais, como grupos de amigos e familiares sentados em círculo, em sua grande maioria sem máscaras.

Havia também um fluxo constante de pessoas andando de bicicleta, correndo e caminhando com cães. Parte delas, principalmente as que faziam atividades físicas mais intensas, estavam sem máscara de proteção ou, ainda, mantendo o item no queixo.

O governador João Doria (PSDB) afirmou, no último dia 17, que o uso de máscaras de proteção contra o coronavírus continua obrigatório, inclusive em espaços abertos, ao menos até 31 de dezembro deste ano em todo o estado.

A cerca de 15 quilômetros de distância, no parque do Ibirapuera, o grande volume de frequentadores, alguns sem máscara, também foi constatado pela reportagem neste sábado.

Trafegando com sua cadeira de rodas elétrica, Francisca Elisângela, 40 anos, seguia alguns metros à frente de sua mãe, a dona de casa Maria Alda Silva, 70, que caminhava em meio ao fluxo de uma das pistas de caminhada do parque. Ambas usavam máscaras.

Moradoras da zona sul de São Paulo, pertinho da represa de Guarapiranga, mãe e filha vieram de ônibus aproveitar o sábado de sol no Ibirapuera, um dos vários locais que afirmam frequentar, bem antes da pandemia.

"Respeitamos bastante [o distanciamento social]. Mas já que está sendo permitido vir ao parque, respeitando protocolos, resolvemos vir aqui hoje [sábado]. Além de usar máscara o tempo todo, usamos álcool em gel e até comemos marmita, feita em casa, para não ter nenhum problema", esmiuçou.

A dona de casa acrescentou que, da mesma forma que sua filha, se sentiu incomodada com as pessoas sem máscara com as quais se deparou. "Estamos passando direto por elas, deveriam ter mais consciência", avaliou.

Em meio ao fluxo de pedestres do Ibirapuera, o jornalista esportivo Henrique Mota, 31, e sua mulher, Joyce Sodré, idade não informada, caminhavam com o pequeno Lucas Sodré, de um ano e cinco meses.

"Ele é uma criança da pandemia. Viu muito pouco a rua e espaços abertos como aqui [Ibirapuera]. Estamos felizes de poder proporcionar para ele, pela primeira vez na vida dele, um passeio em que ele pode ver o mundo fora de casa, outras crianças, a vida", afirmou a mãe da criança.

O casal, residente de Guarulhos (Grande SP), acrescentou ter se programado para fazer o passeio deste sábado, com base na maior flexibilização anunciada pelo governo estadual nesta semana.

Recomendações para dias secos

Além de avaliar as condições climáticas na capital paulista, o CGE orienta para que, em dias secos, as pessoas evitem fazer atividades físicas entre 11h e 17h. O órgão também recomenda manter ambientes úmidos, como usando bacias com água, toalhas molhadas ou, ainda se possível, vaporizadores. "A ingestão de líquidos é extremamente importante, principalmente entre crianças e idosos", acrescentou.

"O ar seco também afeta o meio ambiente nos eventos de bloqueios atmosféricos nessa época do ano. Há um aumento no número de queimadas e o surgimento de incêndios florestais ou nas margens das rodovias. A baixa umidade do ar também agrava os efeitos da poluição, uma vez que dificulta a dispersão dos poluentes", explica trecho de nota.

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