Camarões: Perfil do país conhecido como "África em miniatura"

Vista aérea da capital Yaoundé
Yaoundé, capital do Camarões tem uma maiores das taxas de escolaridade da África

Situada na costa oeste da África, a República dos Camarões é uma das nações de maior diversidade cultural do continente. O país abriga 230 grupos étnicos, que falam 250 línguas, bem como dialetos nativos. Por essa razão, ganhou a fama de ser uma "África em miniatura".

Os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem à região de Camarões atual, em 1472. Eles encontraram muitos camarões gigantes na foz de um rio que batizaram de "Rio dos Camarões". Entre os séculos 16 e 19, os portos camaroneses se tornaram ponto de passagem para o comércio de pessoas escravizadas, produtos tropicais e especiarias.

Entre 1884 e 1915, Camarões virou um protetorado alemão com o nome de Kamerun e, depois da Primeira Guerra Mundial, foi dividido em uma parte britânica (Cameroon) e outra francesa (Cameroun). A independência veio em 1961, com a unificação dessas duas porções.

O presidente camaronês desde 1982 é Paul Biya. O país possui um sistema semi-presidencialista, em que o presidente nomeia o primeiro-ministro, que por sua vez é o chefe de governo.

Camarões tem uma das mais altas taxas de escolaridade na África, mas seu índice de desenvolvimento humano (IDH), de 0,563, o coloca na 153ª posição dentre 188 países. O país é simultaneamente membro das ligas francófona, árabe e de ex-colônias britânicas.

Divisões políticas internas ainda persistem, principalmente em sua província de língua inglesa, no sudoeste do país. Um movimento secessionista, surgido nos anos 1990, se transformou insurgência em 2016. O grupo islâmico Boko Haram, com base na Nigéria, também atua no norte de Camarões, de maioria islâmica.

FATOS

República dos Camarões. Capital: Yaoundé  [ População 23,5 milhões ],[ Área 475 mil quilômetros quadrados ],[ Principal língua Francês, inglês, além de línguas dos grupos bantu, semi-bantu e sudânicos ],[ Principal religião Cristianismo, islamismo, crenças indígenas ],[ Expectativa de vida (2020) 60 anos (61 para mulheres e 58 para homens) ],[ Moeda CFA (moeda comum da Comunidade Financeira Africana) ], Source: Fonte: ONU, Banco Mundial, Image:
República dos Camarões. Capital: Yaoundé [ População 23,5 milhões ],[ Área 475 mil quilômetros quadrados ],[ Principal língua Francês, inglês, além de línguas dos grupos bantu, semi-bantu e sudânicos ],[ Principal religião Cristianismo, islamismo, crenças indígenas ],[ Expectativa de vida (2020) 60 anos (61 para mulheres e 58 para homens) ],[ Moeda CFA (moeda comum da Comunidade Financeira Africana) ], Source: Fonte: ONU, Banco Mundial, Image:

LÍDER

President: Paul Biya

Paul Biya é presidente de Camarões desde 1982
O presidente Paul Biya governa o país há quatro décadas

No poder desde 1982, Paul Biya é um dos líderes mais longevos da África. Em 2008, o parlamento camaronês aprovou uma emenda que lhe permitiu concorrer novamente ao cargo. Biya venceu dois mandatos de sete anos em 2011 e 2018, em meio a alegações de fraude eleitoral.

Como presidente, Biya tem amplos poderes executivos e legislativos, e seu regime retém características autoritárias. Seu partido, o Movimento Popular Democrático Camaronês (RDPC), ganhou maiorias esmagadoras em todas as eleições parlamentares desde 1992.

Biya foi o segundo presidente na história de Camarões. Antes de virar presidente, foi um fiel aliado do primeiro presidente, Ahmadou Ahidjo, ocupando o cargo de primeiro-ministro entre 1975 e 1982. Em 1983, ele acusou Ahidjo de organizar um golpe, forçando seu predecessor a fugir do país.

O primeiro-ministro desde 2019 é Joseph Ngute.

MÍDI

A Rádio Televisão dos Camarões (CRTV Radiodiffusion-television du Cameroun) é a emissora pública camaronesa, que opera ao lado de dezenas de estações privadas de rádio e televisão.

O país tem um dos cenários de mídia mais diversificados da África, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com cerca de 500 veículos produzindo conteúdo em diversos temas.

Por outro lado, críticos do governo enfrentam hostilidade e ameaças judiciais e o jornalismo independente é uma atividade "impossível", segundo a RSF e a organização Freedom House. No passado, jornalistas foram condenados à prisão por tribunais militares, com base na lei antiterrorismo.

O conteúdo da CRTV é marcado pela cobertura positiva do governo de Paul Biya. O presidente nomeia os integrantes do conselho nacional que regulamenta o setor de mídia. Em 2017, o governo cortou o acesso à internet nas regiões de língua inglesa por três meses em meio a protestos.

RELAÇÕES COM O BRASIL

O Brasil reconhece a independência de Camarões desde 1960: reconheceu a independência da porção francesa em janeiro de 1960 e da porção britânica em setembro daquele ano.

Nas duas décadas seguintes, os países assinaram acordos bilaterais englobando as áreas de comércio, cultura e cooperação técnica.

Mas em 1999 o Brasil desativou sua embaixada em Yaoundé por conta de restrições orçamentárias. O posto diplomático foi reaberto em 2005, em meio a um novo impulso de integração sob o primeiro governo Lula.

Desde então, os países assinaram acordos na área de educação e pesquisa em ciências sociais. Como parte deles, estão previstos intercâmbios entre universidades federais brasileiras e universidades camaronesas, e entre o Instituto Rio Branco de formação de diplomatas e seu equivalente camaronês.

LINHA DO TEMPO

Datas importantes na história de Camarões:

Ahmadou Ahidjo, ex-presidente de Camarões
Ahmadou Ahidjo foi o primeiro presidente de Camarões após a independência

Século 6 a.C - Almirante cartaginês Hannon empreende uma viagem de colonização e exploração pela costa atlântica da África e dá notícia de um vulcão em atividade - provavelmente o Monte Camarões.

1472 - Caravelas do navegador português Fernando Pó chegam ao estuário de Wouri, batizado Rio dos Camarões (rivière des crevettes).

1520 - Portugueses instalam plantações de açúcar e iniciam o comércio escravagista, aos quais os holandeses deram continuidade nos anos 1600.

1840 - Reis de Douala, Bell e Akwa assinam com o governo britânico o primeiro contrato proibindo o comércio de escravos.

1884 - Camarões viram um protetorado alemão sob o nome de Kamerun. A colônia se expande em 1911, com a cessão de territórios franceses à Alemanha.

1916 - Tropas britânicas e francesas forçam os alemães a deixar Camarões.

1919 - Pelo Tratado de Versalhes, o território de Camarões é diviido entre a França e o Reino Unido ao fim da Primeira Guerra Mundial.

1958 - França concede autonomia à sua colônia camaronesa sob o governo de Ahmadou Ahidjo como primeiro-ministro. Ahidjo vira presidente após a independência do país, sob o nome de República Federativa de Camarões, dois anos mais tarde.

1961 - Colônias britânicas em Camarões são divididas entre Camarões e a Nigéria após um referendo. Uma insurreição em grande escala marca os primeiros anos de independência do país, mas é derrotada em 1963 com a ajuda das forças francesas.

1972 - Nascimento da República Unida do Camarões, um Estado unitário, após um referendo em 20 de maio.

1982 - Primeiro-ministro Paul Biya sucede a Ahidjo, que foge do país no ano seguinte após ser acusado por Biya de tentar um golpe de Estado.

1984 - Decreto presidencial muda o nome do país para República de Camarões.

1998 - Organização Transparência Internacional classifica Camarões como o país mais corrupto do mundo.

Lake Chad
Lago Chade, na fronteira entre Chade, Camarões, Nigéria e Niger. Algumas áreas às margens do lago são palco de atividades do grupo Boko Haram

2014 - Grupo islâmico extremista Boko Haram intensifica seus ataques em Camarões. Em dezembro, um ataque deixa 84 civis mortos. Camarões declara sua vitória sobre o Boko Haram em 2016.

2016 a 2018 - Regiões anglófonas de Camarões protestam contra tentativas de introduzir o francês, exigindo autonomia e a continuidade do uso da língua inglesa em escolas e no poder judiciário. Governo responde com repressão. A violência resulta em mortes e no desenvolvimento de um movimento insurgente.

2018 - Paul Biya eleito para mais sete anos em meio a acusações de fraude.

2020 - Organização Human Rights Watch afirma que o grupo islâmico Boko Haram voltou a atuar no norte de Camarões, matando pelo menos 80 pessoas em uma série de ataques.