Câmara do RJ 'esconde' acessos de Carlos Bolsonaro em sessões remotas

Vereador Carlos Bolsonaro praticamente só participou de plenárias de forma remota durante a pandemia. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Vereador Carlos Bolsonaro praticamente só participou de plenárias de forma remota durante a pandemia. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Filho do presidente manteve sempre câmera desligada e microfone mudo

  • Câmara negou acesso às informações sobre uso do app por Carlos Bolsonaro

  • Vereador debochou de resolução da Casa que pedia participação ativa

Os registros sobre a participação do vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) em sessões plenárias realizadas de forma remota durante a pandemia de covid-19 estão em sigilo.

Durante a pandemia, a Câmara Municipal do Rio utilizou um sistema híbrido: os parlamentares poderiam escolher se iriam presencialmente ou se participariam das sessões por meio de um aplicativo, como optou Carlos.

Durante todas as sessões, o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) manteve sua câmera desligada e microfone mutado, sem participar de debates. Dessa forma, não tem como saber se ele realmente participou dos encontros.

O portal UOL solicitou os dados sobre o acesso de Carlos ao aplicativo, via Lei de Acesso à Informação (LAI) - como dia e horário de login e saída da plataforma. A informação, no entanto, foi negada por Cesar Abrahão, chefe de gabinete do presidente da Câmara, alegando que o sigilo dessas informações é garantido por lei.

"As informações solicitadas estão acobertadas pelo sigilo, conforme a Lei do Marco Civil da Internet", disse na decisão. A Câmara também excedeu o prazo máximo de resposta pela LAI, de 20 dias prorrogáveis por mais dez dias.

Resolução contra práticas de Carlos Bolsonaro

A bancada do PSOL conseguiu pressionar a Câmara do Rio para emitir, em 9 de março, uma resolução criticando a postura do vereador Bolsonaro. A resolução determina que os vereadores devem participar das sessões com a câmera ligada, em especial durante intervenções orais.

No dia 23 de março, Carlos decidiu zombar da decisão. Durante a sessão, deixou um banner com sua foto na frente da câmera. Uma pessoa, que não era ele, aparece pendurando a imagem na parede.

Anteriormente, em 2 de dezembro do ano passado, Carlos entrou em uma sessão com câmera desligada, registrou presença, mas foi flagrado, ao mesmo tempo, no gabinete da Presidência da República, em Brasília. As imagens de Carlos ajudando o pai foram gravadas pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Mesmo sendo um crítico à suspensão das atividades presenciais como medida de segurança da pandemia, Carlos aproveitou bastante as atividades remotas. Do início da pandemia até maio de 2022, segundo levantamento do UOL, ele praticamente só participou de sessões de forma remota.

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