Câmara técnica avalia estender quarta dose para idosos e profissionais da saúde

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - DECEMBER 15: Doctors and nurses working 12-hour shifts to vaccinate people against Covid-19, as well as testing to detect the new variant Omicron as the variant is circulating across the country on December 15, 2021 in Rio De Janeiro, Brazil. Brazil registers 227 deaths from Covid-19 in 24 hours, The country accounts for 617,348 deaths and 22,199,331 cases of coronaviruses since the beginning of the pandemic. A hacker attack on the Ministry of Health website, in the application and on the ConnectSUS page â platform that shows proof of vaccination against Covid-19 â in the early hours of Friday (10), indirectly affected the dissemination of cases and deaths. (Photo by Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images)
No momento, a segunda dose de reforço é aplicada em imunossuprimidos no Brasil. Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images.
  • Debate será feito pela Ctai, ligada ao Ministério da Saúde

  • Ainda não há estudos conclusivos sobre a eficácia da segunda dose de reforço

  • Israel já amplia quarta dose para adultos

A Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização Covid-19 (Ctai) começa a discutir esta semana a possibilidade de aplicação da segunda dose de reforço - que seria a quarta dose - da vacina contra covid-19 no Brasil em idosos e profissionais da saúde.

A Ctai foi criada pelo Ministério da Saúde para auxiliar no combate à pandemia no país. Uma nota técnica da pasta, emitida em dezembro, recomenda a quarta dose apenas para pessoas imunossuprimidas, que devem receber a vacina quatro meses após o primeiro reforço.

No momento, Chile e Israel já adotam a quarta dose e países como Alemanha e Estados Unidos estudam a possibilidade, frente ao aumento de casos promovido pela variante Ômicron.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que também integra a Ctai, o grupo irá analisar se há necessidade da quarta dose para idosos e profissionais da saúde, além de qual deveria ser o intervalo entre as doses de reforço.

Ainda não foram publicados estudos conclusivos sobre a necessidade de se aplicar uma quarta dose nestes grupos. As principais informações vêm de Israel, que já vacina maiores de 60 anos com a quarta dose. Além disso, um painel consultivo do Ministério da Saúde israelense recomendou nesta terça-feira (25) a segunda dose de reforço para todos os adultos, que deverá ser aplicada cinco meses após a terceira dose.

Pesquisadores israelenses identificaram que as pessoas que receberam uma quarta dose do imunizante apresentaram de três a cinco vezes mais proteção contra quadros graves de covid-19, em relação àqueles que receberam três doses. De acordo com eles, a defesa contra a infecção pelo vírus aumentou duas vezes.

Para o chefe do departamento de Infectologia da Unesp, Alexandre Naime Barbosa, “muito provavelmente” a quarta dose será aprovada.

“Os imunossuprimidos têm dificuldade de produzir anticorpos e de mantê-los por mais tempo, o que torna a resposta vacinal menos intensa e mais efêmera. Para a população em geral não existe um consenso sobre necessidade”, explicou ao jornal O Globo. “O mais próximo disso são os idosos, que em algum grau também são imunossuprimidos, porque vivem a imunossenescência [envelhecimento do sistema imunológico]”.

Enquanto isso, a epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) entre 2011 e 2019, avalia que é necessário esperar a publicação de mais estudos sobre o assunto.

“Estamos perdendo o foco, nem termina uma etapa da vacinação e já começa outra. Se surgirem evidências de que há uma nova variante que exige quarta dose, é o que vamos fazer. Mas nenhum estudo mostra isso ainda”, afirmou ao jornal.

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