Camas compradas para tratamento de Covid-19, e que estavam armazenadas em galpão, quebraram durante uso, afirma secretário

Extra
·2 minuto de leitura
Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo / 18-01-2021

O secretário estadual de saúde, o médico Carlos Alberto Chaves, afirmou na manhã desta segunda-feira que muitos materiais comprados no ano passado, na gestão do governador afastado Wilson Witzel (PSC), para o tratamento da Covid-19 no estado, “são obsoletos, frágeis e de má qualidade”. De acordo com Chaves, todas as 170 camas que foram entregues ao Hospital de Campanha do Riocentro, que era gerido pela Prefeitura do Rio, chegaram a quebrar após o uso de pacientes. Chaves afirmou ainda que sua pasta vai incinerar, em até quatro meses, 300 toneladas de materiais hospitalares que estão vencidos há anos e não foram utilizados.

— Estamos distribuindo os materiais (que foram comprados no ano). Mas (alguns objetos adquiridos) como as camas, são imprestáveis. Distribuímos para o Hospital de Campanha do Riocentro 170 camas, o Daniel Soranz (secretário municipal de Saúde do Rio) sabe disso, e elas não puderam ser usadas porque quebravam. Foram comprados materiais que são um desastre. São produtos de má qualidade, obsoletos, frágeis e não podem ser usados com os pacientes — informou o secretário de Saúde, durante entrevista ao “Bom dia Rio”, da TV Globo.

Segundo Carlos Alberto Chaves, a SES está avaliando o que poderá ser aproveitado pelas unidades de saúde. Como camas, soros e cobertores.

Questionado sobre as mais de 300 toneladas de produtos vencidos e inapropriados para uso, Chaves informou que a destruição de todo o material acontecerá em até 120 dias. O secretário atribuiu a demora do processo à Justiça:

— A incineração já começou, mas existe uma série de processos obrigatórios a se cumprir. É um processo lento, mas, em até quatro meses todo o material será incinerado. Esse material vencido está no CGA (Coordenação Geral de Armazenagem), em Niterói.

O secretário disse ainda que os materiais que estiverem em bom estado de conservação, serão utilizados no Hospital Modular de Nova Iguaçu, que, segundo Chaves, ficará pronto em até 15 dias.

Neste domingo, o “Fantástico”, da TV Globo, mostrou o exemplo do mau uso de dinheiro público e que está sob suspeita de corrupção: o projeto do governo estadual para instalar sete hospitais de campanha destinados a pacientes com Covid-19 ainda causa prejuízos. Todos os equipamentos e materiais das duas únicas unidades estaduais que funcionaram — São Gonçalo e Maracanã — foram levados para um depósito particular em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, após o fechamento. O aluguel do espaço custa R$ 1 milhão por mês. A reportagem analisou 70 contratos firmados com base na lei que autorizou o poder público a fazer compras sem licitação durante a pandemia. O Ministério Público do Estado investiga esse desperdício de dinheiro.

São respiradores que foram adquiridos com superfaturamento e que não funcionam; dezenas e dezenas de testes de Covid-19 que não podem ser usados; camas que podem quebrar se utilizadas por pacientes e materiais comprados sem necessidade e que estão com os dias contados para vencerem, já que não foram usados.