Câmera na farda: Rota, uma das tropas mais letais da PM de SP, zera mortes após uso do dispositivo

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Até agora, quase duas semanas depois, não foi registrado mortes em decorrência de intervenção policial — nome dado pelas forças de segurança para mortes envolvendo agentes do estado — envolvendo policiais da Rota (Foto: Divulgação/Governo de SP)
Até agora, quase duas semanas depois, não foi registrado mortes em decorrência de intervenção policial — nome dado pelas forças de segurança para mortes envolvendo agentes do estado — envolvendo policiais da Rota (Foto: Divulgação/Governo de SP)
  • A Rota, uma das tropas da Polícia Militar (PM) que mais matam em São Paulo, passou a usar câmeras nos uniformes dos agentes para tentar flagrar possíveis desvios de conduta, desde o último dia 4

  • Até o dia 14 de junho, quase duas semanas depois, não foi registrado nenhuma morte em decorrência de intervenção policial envolvendo policiais da Rota

  • O último caso de morte com a participação de policiais militares da Rota foi registrado no dia 31 de maio, quando a tropa ainda não usava as câmeras

As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), uma das tropas da Polícia Militar (PM) que mais matam em São Paulo, passaram a usar câmeras nos uniformes dos agentes para tentar flagrar possíveis desvios de conduta, como abusos de autoridade e violência policial, desde o último dia 4.

Até o dia 14 de junho, quase duas semanas depois, não foi registrado nenhuma morte em decorrência de intervenção policial — nome dado pelas forças de segurança para mortes envolvendo agentes do estado — envolvendo policiais da Rota. 

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A informação foi inicialmente divulgado pelo portal "Notícia Preta" e confirmada pela reportagem do Yahoo! Notícia junto à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

A Rota foi o batalhão que mais matou suspeitos de crimes em 2019 no estado de São Paulo, sendo considerada a tropa mais letal da Polícia Militar paulista, de acordo com dados da Ouvidoria da Polícia Militar. Naquele ano, foram registradas 101 mortes causadas por policiais durante confrontos. 

Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, o último caso de morte decorrente de intervenção policial com a participação de policiais militares da Rota foi registrado no dia 31 de maio, quando a tropa ainda não usava as câmeras. 

A morte teria ocorrido durante uma troca de tiros em Heliópolis, maior favela paulistana, durante as buscas pelo soldado Leandro Martins do Patrocínio, 30 anos, lotado desde 2018 na 1ª Cia do 1ª Batalhão da PM de São Bernardo do Campo, que até então estava desaparecido. 

O corpo de Leandro foi encontrado no dia 5 de junho em um terreno também em Heliópolis. De acordo com a investigação, Leandro teria sido sequestrado, torturado e morto por criminosos após ter sido identificado como policial pelos bandidos em uma festa na comunidade.

Câmeras gravam tudo automaticamente

De acordo com dados da Polícia Militar, a novidade agora é que essas câmeras gravam tudo automaticamente e ininterruptamente, sem que o agente precise acioná-la, o que daria mais transparência às ações policiais.

A Polícia Militar informou que, desde o dia 20 de maio, recebeu 2.500 aparelhos que passaram a gravar imagens e áudios por 12 horas seguidas

Segundo a corporação, esse é o tempo do turno de trabalho de cada agente que usa veículos em patrulhamentos ostensivos que visam garantir a segurança da população nas ruas das cidades. Mas nem sempre é isso o que acontece.

Por esse motivo e outros, que tratam de monitorar a atividade policial, as câmeras norte-americanas Axon Body 3 serão acopladas na parte frontal dos coletes à prova de balas dos policiais militares da Rota e de outros 14 batalhões.

A military police officer carries a firearm during protest against Brazilian President Jair Bolsonaro in Sao Paulo, Brazil, May 29, 2021. (Photo by Felipe Beltrame/NurPhoto via Getty Images)

"Se você não tem a desobediência, você diminui o uso da força. Se você diminui o uso da força, isso é importante para o cidadão e para o policial." (Foto: Felipe Beltrame/NurPhoto via Getty Images)

"Isso é importante para o cidadão e para o policial"

Entre as 15 novas unidades a serem atendidas, estão a Rota e três Baeps (operações especiais), de Campinas, de Santos, São José dos Campos, tropas de elite da PM paulista e com histórico de alto índice de letalidade policial. 

"Com o novo sistema, a gravação é involuntária. A partir do momento em que recebo a câmera, ela já está gravando", disse o coronel Robson Cabanas Duque, gerente do programa. "O turno todo é gravado. Um policial que se envolveu em uma troca de tiros, por exemplo, mas não acionou no momento dos tiros. Acionou logo depois. Você vê o indivíduo já baleado, mas não tem o que aconteceu. [Com o novo sistema], simples, volto lá no arquivo e está tudo registrado", disse ele. 

"Se você não tem a desobediência, você diminui o uso da força. Se você diminui o uso da força, isso é importante para o cidadão e para o policial." 

A PM também deverá divulgar vídeos de ações policiais, a exemplo do que a faz a polícia de Los Angeles, nos EUA, que publica em canais online imagens das câmeras dos policiais e dão detalhes da ocorrência. Isso também ajuda, por exemplo, a população a ter informações completas de um caso de violência policial e conhecer os detalhes da ocorrência que são muitas vezes omitidos pelas pessoas que divulgam gravações clandestinas. 

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