SP: Secretário de Tarcísio recua e nega fim de câmeras portáteis nos uniformes de PMs

"Não iremos, é o meu compromisso e do governador", disse o secretário da Segurança Pública de São Paulo.

Câmeras nos uniformes de policiais foram pauta central durante campanha eleitoral vencida por Tarcísio em SP - Foto: AP Photo/Andre Penner
Câmeras nos uniformes de policiais foram pauta central durante campanha eleitoral vencida por Tarcísio em SP - Foto: AP Photo/Andre Penner

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, negou nesta terça-feira (10) que a o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) irá acabar com o programa de câmeras corporais da Polícia Militar, o "Olho Vivo".

A afirmação foi feita durante entrevista ao Bom Dia SP, da TV Globo.

"Não iremos acabar com o programa Olho Vivo das câmeras. Não iremos, é o meu compromisso e do governador", disse Derrite.

Em entrevista à rádio Cruzeiro, de Sorocaba, interior de São Paulo, na semana passada, terra natal do secretário, ele afirmou que iria rever o programa e que uma das suas primeiras medidas foi pedir o estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que mostra que o uso de câmeras portáteis nos uniformes de PMs de São Paulo evitou 104 mortes, uma redução de 57%, em relação ao período anterior em que a medida entrou em vigor.

Após a declaração, procuradores chegaram a divulgar uma manifestação contrária à revisão, dizendo que a suspensão ou a retirada das câmeras poderia ser entendida como "licença para matar".

No entanto, na entrevista de hoje, ele afirmou que a gestão estadual pretende ampliar as funcionalidades da câmera.

"Ela foi instalada com uma intenção de fiscalização e controle que é aceitável, tem sua funcionalidade. Nós queremos, além da fiscalização e controle, acoplar a câmera do policial ferramentas que vão combater o crime. Como por exemplo, leitura de placa de veículos roubados. Isso pode ser instalado na câmera", disse o secretário.

Tanto Derrite, quanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticaram durante toda a campanha eleitoral o uso do equipamento.

O secretário, sobre o assunto, chegou a dizer, à época da implementação, que o governo de São Paulo era inimigo da polícia ao compartilhar uma manchete de um jornal sobre o uso de câmeras nas fardas.

O titular da pasta de Segurança de SP é ex-policial militar com passagem pelas Rota da PM e com forte ligação com a família do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele participou ativamente da campanha pela reeleição do presidente e o acompanhou em diversas agendas. Ele é formado em direito e oficial da reserva da PM.