Câmeras corporais levam letalidade policial ao menor índice desde 2005

Polícias do Estado de São Paulo adoram câmeras corporais desde 2020. (Foto: Divulgação/Polícia Militar)
Polícias do Estado de São Paulo adoram câmeras corporais desde 2020. (Foto: Divulgação/Polícia Militar)
  • Dados são referentes ao primeiro semestre do ano

  • Redução foi de 41% em relação ao ano passado

  • Câmeras corporais estão em 58 batalhões do estado

As Polícias Civil e Militar tiveram o menor índice de mortalidade no primeiro semestre desde 2005. A diminuição de 41,1%, em comparação com o mesmo período do ano passado, se dá em grande parte pelo uso das câmeras corporais nas fardas de parte dos agentes, do programa Olho Vivo.

Entre janeiro e junho de 2022, foram 202 vítimas de policiais, menor número desde 2005, que teve 178 mortes no primeiro semestre. O número de mortes em operações ou envolvendo agentes em serviço é de 133, o menor número desde 2001, ano que a série histórica começou.

O programa Olho Vivo começou a ser usado no começo do ano passado, implementado pela gestão do então governador João Doria (PSDB). São 8,1 mil equipamentos, presentes em 58 batalhões do Estado de São Paulo. O plano é que em agosto o número de câmeras operantes no estado chegue a 10 mil.

Em relação a 2020, a queda foi de 60,7% na letalidade. Naquele ano, foram registradas 514 mortes, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP).

"As câmeras têm uma responsabilidade por trás desse número, por ser um programa importante, especificamente para os batalhões que reduziram a letalidade mais do que outros. Mas é importante a gente destacar que essa queda é anterior à implantação dos equipamentos e começa uns meses antes", disse Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao jornal Estadão.

O major Rodrigo Fernandes Cabral, porta-voz da Polícia Militar, diz que as câmeras também ajudam a reduzir a desobediência civil. "Essa redução [das mortes] vem de um forte trabalho de gestão do comando da instituição, que começou com o coronel [Fernando] Alencar [de Medeiros] e teve como primeira missão a Comissão de Mitigação de Não Conformidades", explica.

"Nós optamos em treinar bem os policiais e fazer com que eles obedeçam as orientações e protocolos. Às vezes, a morte ou lesão é gerada pela falta de técnica", diz o major Cabral, apontando que "muitas vezes o policial é absolvido no tribunal de júri, mas é demitido da PM".

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