Ministro sírio insiste em que Exército não usou armas químicas

Damasco, 6 abr (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid Muallem, reiterou nesta quinta-feira em Damasco que o Exército de seu país "não usou nem usará nunca" armas químicas.

"O Exército Árabe da Síria não utilizou nem utilizará nunca armas químicas, nem sequer contra os terroristas que atacam nosso povo", disse Muallem em entrevista coletiva.

"A Síria condena categoricamente o uso de armas químicas por qualquer parte, independentemente das circunstâncias", acrescentou o ministro.

Desta maneira, o governo de Damasco voltou a desmentir hoje as acusações da oposição sobre o suposto uso de armamento químico pelas forças governamentais em um bombardeio há dois dias na cidade de Khan Shaikhun, na província setentrional de Idlib.

Al Moualem afirmou que seu governo estudará qualquer proposta para criar um comitê de investigação sobre o fato, embora destacou que teria que ser neutro, não politizado e com uma ampla representação.

Segundo a versão dos fatos oferecida pelo ministro das Relações Exteriores, a aviação síria atingiu na terça-feira um "estoque terrorista" onde havia substâncias tóxicas.

"O anúncio do bombardeio foi feito por grupos opositores às 6h local (1h, em Brasília), quando na realidade o primeiro bombardeio de nossas forças foi às 11h30 local (6h30, em Brasília) contra um estoque da Frente al Nusra, onde havia armamento químico", detalhou o ministro.

A Frente al Nusra é o nome usado, até julho passado, pela filial síria da Al Qaeda, que mudou nesse mês quando anunciou que se desvinculava da organização dirigida por Ayman al-Zawahiri.

O novo nome da Frente al Nusra é Frente da Conquista do Levante e atua integrada junto a outras facções na aliança armada denominada como organização de Libertação do Levante.

"A Frente al Nusra e outros grupos terroristas estiveram acumulando armas químicas em áreas residenciais e enviamos centenas de mensagens ao Conselho de Segurança e à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ)", afirmou Al Moualem.

O chefe da diplomacia síria destacou que esse armamento é introduzido de contrabando no território sírio através da fronteira com o Iraque e Turquia.

De acordo com a última apuração divulgada pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos, pelo menos 86 pessoas morreram, entre elas 30 menores e 20 mulheres, no suposto bombardeio químico em Khan Shaikhun, no sul da província setentrional de Idlib.

Essa região está controlada quase totalmente por facções rebeldes e islâmicas, entre as que figura a organização de Libertação do Levante. EFE