Procuradoria revista casa da ex-prefeita de Lima por caso Odebrecht

Lima, 5 abr (EFE).- Um equipe especial do Ministério Público do Peru revistou nesta quinta-feira a casa da ex-prefeita de Lima, Susana Villarán, e de seu ex-funcionário, José Miguel Castro, por supostamente terem recebido subornos das empresas brasileiras Odebrecht e OAS.

A procuradoria peruana informou hoje, através da sua conta no Twitter, das operações nos dois imóveis situados no distrito de Miraflores.

A ex-prefeita de Lima no período entre 2011 e 2014 tinha sido impedida de sair do país em novembro do ano passado, da mesma forma que Castro, que trabalhou durante sua gestão como gerente municipal.

A procuradoria peruana abriu uma investigação preliminar contra a ex-prefeita pelos crimes de lavagem de dinheiro e suborno passivo próprio por supostamente terem recebido US$ 3 milhões da Odebrecht e da OAS para financiar a campanha que liderou para evitar sua revogação do cargo em 2013.

O publicitário brasileiro Valdemir Garreta declarou a procuradores peruanos ter recebido US$ 3 milhões das duas construtoras para fazer a campanha de comunicação do processo contra a revogação.

Segundo seu testemunho, publicado pelo jornal "El Comercio", Garreta foi contatado previamente pelo publicitário Luis Favre para perguntar-lhe se podia assumir a campanha de comunicação de Villarán, tal como efetivamente ocorreu.

"Pelo trabalho foi acordado uma remuneração de US$ 3 milhões", disse Garreta a respeito das coordenações que supostamente fez com Villarán, após o que acrescentou que o encarregado dos pagamentos seria o ex-gerente municipal José Miguel Castro.

O ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, corroborou o revelado por Garreta, em uma declaração feita a procuradores peruanos e detalhou que foi uma doação à campanha política de um personagem que, nesse momento, tinha uma grande projeção política.

O caso Odebrecht no Peru se centra em seguir o rastro dos US$ 29 milhões que a Odebrecht admitiu à Justiça americana ter pagado a funcionários peruanos entre 2005 e 2014 em troca de obter contratos para milionárias obras públicas.

Esse período abrange os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo (2001-2006), que tem uma ordem de captura internacional; Alan García (2006-2011), incluído em investigações de propinas para o metrô de Lima; e Ollanta Humala (2011-2016), preso pelo suposto financiamento irregular das suas campanhas eleitorais.

O ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski renunciou ao cargo no último mês de março depois que foi revelada uma tentativa de compra de votos no Congresso para evitar sua cassação pelos seus vínculos com a Odebrecht por supostos pagamentos irregulares quando foi ministro de Toledo. EFE