Caminhoneiro morto na Avenida Brasil faria aniversário no domingo: 'Uma tragédia na família', diz primo

Jean Lucas Benjamin de Oliveira Alves, de 31 anos, caminhoneiro que foi morto na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, Zona Norte do Rio, na manhã desta quarta-feira, faria aniversário no próximo domingo. Segundo parentes, a família preparava uma comemoração na casa da vítima, em Itaguaí, na Baixada Fluminense.

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— A família está destruída. A viúva e os pais dele estão passando mal, foram para o hospital. Foi uma tragédia na família, esse cara é muito do bem, um menino de ouro. Todo mundo é vizinho, a família é muito unida. O Jean faria aniversário no domingo e agora está aí, jogado — lamentou o primo da vítima, Washington de Paula.

Após ser atingido por um tiro na cabeça, a vítima teria sido arremessada do veículo e caído na pista lateral da via expressa. Segundo o Corpo de Bombeiros, que foi acionado às 5h31, Jean Lucas já foi encontrado sem vida no local.

De acordo com o primo, Jean Lucas amava o que fazia e escolheu a profissão seguindo os passos do pai, que também é caminhoneiro.

— Ele sempre gostou, era apaixonado pelo que fazia. Desde pequeno adorava a profissão. O pai dele trabalha com isso há muitos anos e ele seguiu os passos. Gostava muito de viajar — contou.

Há cerca de três meses, no entanto, a família já vem se preocupando com a falta de segurança e as viagens realizadas por Jean Lucas. Segundo os parentes, um tio da vítima também já foi abordado por criminosos e teve o caminhão atingido por diversos disparos. O caso não aconteceu no estado do Rio, mas assustou. De acordo com Washington, ele já havia pedido para o primo parar de trabalhar na capital fluminense pela insegurança, mas não foi ouvido:

— Isso aqui, o Rio de Janeiro, é um terror. A gente fica preocupado com a segurança. Eu mesmo tenho um caminhão, assim como muitos da família, mas deixei de lado. Todos têm medo da Avenida Brasil, é muito perigoso aqui.

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Para Rafael Gonçalves, que também é parente da vítima, o caso evidenciou a insegurança da profissão e deixou um trauma na família.

— Isso deixou, com certeza, um trauma em toda a família. É normal mandarmos a hora que saímos e chegamos, a localização em tempo real, não andarmos sozinhos. Dessa vez, mesmo em comboio, não adiantou — explicou.

O pai de Jean, de 54 anos, que não foi identificado, foi ao local do crime, mas não conseguiu ver o corpo do filho. Segundo os parentes, ele passou mal chegando lá e precisou esperar em uma borracharia nas proximidades. Desde então, ele e a esposa, mãe da vítima, estão à base de calmante.

— A relação dele com os pais era muito próxima. Tem dois anos que ele casou e os pais o ajudavam a construir uma casa no mesmo terreno em que moram. Estão muito mal — disse Washington.

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Ao menos 15 tiros

Jean Lucas foi abordado por volta das 5h desta quarta-feira, pouco antes da passarela 10 da Avenida Brasil. O caminhão que ele dirigia tem, ao menos, 15 marcas de tiro, sendo uma delas na cabine do motorista. Ele foi atingido na cabeça.

Informações preliminares indicam que após ser atingido, ele colidiu com uma mureta da via expressa e foi arremessado na pista lateral. O veículo parou apenas 400 metros à frente.

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h31 para ocorrência de acidente de trânsito. No local, os militares já encontraram o motorista sem vida. A investigação está em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que tenta identificar o autor do crime.