Camisa amarela e pipoca: Alckmin assiste ao jogo do Brasil na sede da transição e bate na trave em bolão

Já passava dos seis minutos do primeiro tempo quando o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, entrou no auditório do Centro Cultural do Banco do Brasil, sede da transição em Brasília, para assistir à estreia da seleção brasileira na Copa do Catar. Trajando uma camisa verde e amarela, cores que durante a campanha viraram marca dos eleitores de Jair Bolsonaro, Alckmin acompanhou ao jogo contra a Sérvia cercado de aliados, e se mostrou um torcedor contido, replicando sua postura como político. Num teatro lotado, destoou de alguns mais empolgados, como a senadora Eliziane Gama(CIDADANIA-MA) e Randolfe Rodrigues (REDE-AP).

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O vice também foi contido ao prever uma vitória magra para o Brasil antes do jogo: apostou em 2 a 1 num bolão organizado por jornalistas. O mesmo placar apostado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que sentou ao seu lado. O ambiente festivo da partida, com pipoca e refrigerante, no entanto, não disfarçou o clima de ameaça em torno dos vencedores da eleição: atrás de Alckmin, três agentes da Polícia Federal faziam a segurança do político. Na mesma fileira, outros dois mantinham a guarda.

Na noite anterior, Alckmin foi atacado com ofensas por dois homens que o abordaram no saguão do hotel onde está hospedado, na região central da capital federal. Os dois foram detidos pela Polícia Federal e levados a uma delegacia, mas liberados na sequência.

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O cordão de policiais, no entanto, não bastou para impedir o assédio ao vice-presidente eleito. Alckmin assistiu ao jogo cercado de holofotes e, além de jornalistas, uma câmera posicionada na poltrona à sua frente gravava suas (poucas) reações durante toda partida para abastecer as redes sociais.

No intervalo, Alckmin virou a estrela do jogo no CCBB, fez fotos com apoiadores e se mostrou confiante na vitória:

— O Brasil teve mais domínio de bola. No segundo tempo sai o gol — previu.

Durante os momentos de tensão em campo, o vice se projetava para a frente como se estivesse prestes a soltar o grito de gol, o que finalmente aconteceu aos 16 minutos do segundo tempo, após Richarlison abrir o placar para a seleção brasileira. Durante a comemoração, um pouco mais solto, Alckmin apertou a mão do deputado eleito Lindbergh Farias (PT-RJ), bateu palmas e fez um sinal de joia para os espectadores que aguardavam ansiosos por sua reação.

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O vice se conteve mesmo quando o atacante Neymar, que fez campanha por Bolsonaro, foi substituído por Tite. A saída do jogador de campo foi comemorada de forma ruidosa pelos petistas. Alckmin apenas esboçou um sorriso.

— A camisa verde e amarela é do Brasil, todos nós brasileiros usamos. tem uma tentativa em curso de partidarizar, não podemos deixar isso acontecer — afirmou Gleisi Hoffmann, presidente do PT, ao comentar o fato de que a maioria ali vestia as cores da seleção.

Ao apito final, sem demora, o vice deixou o auditório sem dar entrevistas. Não ficou para a ver a comemoração dos vencedores do bolão, os senadores Randolfe Rodrigues e Eliziane Gama, que cravaram o placar em 2x0.

— Eu e Eliziane somos do time do otimismo e da vontade. Eles são do time do ceticismo e da razão — brincou Randolfe, sem deixar claro se fazia referência ao futebol ou à política.