Campanha de Bolsonaro busca tirar foco de violência política após ligação a irmãos de petista

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) trabalham para afastar o mandatário das repercussões da morte do petista Marcelo de Arruda, assassinado em Foz do Iguaçu (PR), no último sábado (9), pelo policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho.

A avaliação de uma ala de auxiliares é que o telefonema de Bolsonaro a irmãos de Marcelo foi positivo para tentar humanizar a imagem do presidente —acusado de incitar a violência em seus discursos—, mas que o contato deveria representar um ponto final no envolvimento dele na história.

Nesse sentido, o convite para que dois irmãos do militante do PT assassinado fizessem uma viagem a Brasília para uma entrevista à imprensa sobre o caso foi visto com receio por assessores que tocam a campanha do chefe do Executivo.

Eles dizem que a ida dos parentes de Marcelo à capital federal poderia reforçar a imagem de que Bolsonaro tenta politizar o crime cometido por seu apoiador. Jorge Guaranho invadiu a festa de aniversário de Marcelo, que tinha como tema o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o matou a tiros —o bolsonarista também foi baleado e segue internado em estado grave.

Foi justamente essa a linha adotada por Lula em um ato político na terça-feira (12), quando insinuou que o contato de Bolsonaro com familiares do petista foi motivado por interesse eleitoral.

Além disso, também há a análise de que o mandatário e seus aliados não conseguiriam controlar o teor da entrevista dos parentes de Marcelo.

A ligação por vídeo foi feita pelo deputado bolsonarista Otoni de Paula (MDB-RJ), que esteve na casa de um dos irmãos de Marcelo, com o aval de Bolsonaro, para intermediar a conversa. Segundo ele, o presidente falou com dois irmãos do petista assassinado: José e Luiz de Arruda.

Ambos integram a parte da família de Marcelo mais alinhada ao bolsonarismo. A viúva do guarda municipal petista assassinado, Pâmela Silva, afirmou ter considerado um "absurdo" o telefonema e disse que os dois nem sequer estavam na festa de aniversário onde ele foi assassinado.

A reação de Bolsonaro e seus aliados ao crime expôs as divergências no entorno do presidente sobre como tratar o tema.

Integrantes do centrão e do núcleo da campanha avaliam que Bolsonaro não deveria ter ligado e se limitado a prestar solidariedade e repudiar a violência política.

Além disso, a ala política do governo e correligionários do centrão chegaram a pedir, sob reserva, um posicionamento mais firme do chefe do Executivo com recados para uma pacificação.

O presidente, todavia, evitou endossar a sugestão e tentou propagar um discurso atrelando práticas violentas à esquerda.

Por isso, a ideia de aliados a partir de agora é tentar virar a página do homicídio em Foz do Iguaçu.

Há o temor, porém, de que novos episódios de violência ligados à polarização política do país voltem a acontecer e arrastem novamente o mandatário para uma pauta negativa, na qual ele é cobrado por seu discurso radical.

O clima entre integrantes que compõem o núcleo duro da campanha é de pessimismo sobre a radicalização que deve permear o processo eleitoral.

O desejo é que o foco de Bolsonaro daqui para frente seja nas ações do governo voltadas para a economia, como a PEC (proposta de emenda à Constituição) que cria benefícios e amplia o Auxílio Brasil.

Para isso, há três temas que a campanha quer explorar. O primeiro deles é a diminuição no valor dos combustíveis. O preço nos postos teve uma queda significativa após a imposição de um teto na cobrança do ICMS pelos estados e a ideia é propagar a mensagem, em tom de ironia, de que a redução "é culpa do Bolsonaro", como o próprio presidente já afirmou.

Outra frente é conseguir fazer chegar às pessoas a mensagem de que o chefe do Executivo é o responsável por aumentar o Auxílio Brasil para R$ 600 até o fim do ano.

Isso só será possível devido à aprovação da PEC no Congresso.

A proposta, que também cria um vale para caminhoneiros e dobra o valor do Auxílio Gás, é o tiro final do presidente para tentar aumentar sua popularidade e reverter o favoritismo de Lula nas eleições, apontado por todas as pesquisas.

O terceiro feito do Executivo que a campanha pretende explorar diz respeito à taxa de desemprego. Nesse caso, aliados acreditam que tiveram sucesso na estratégia, uma vez que Bolsonaro tem afirmado de maneira recorrente que o país criou 3 milhões de postos de trabalho em 2021.

A estratégia é comparar índices do governo atual com os do PT. Dados relacionados à miséria e à fome propagados por petistas, por exemplo, são contestados por aliados de Bolsonaro, que prometem apresentar informações nesse sentido.

Pessoas próximas ao mandatário reconhecem, porém, a dificuldade de convencê-lo a falar sobre agendas positivas e deixar de lado polêmicas.

A comparação com as gestões petistas foi o centro do argumento de Bolsonaro e sua base, por exemplo, para rechaçar a imagem de que o presidente estimula a violência.

O chefe do Executivo disse que o Brasil teve 20 mil mortes a menos por arma de fogo em 2021 em relação a 2016.

O assassinato de Marcelo ainda é investigado pela Polícia Civil do Paraná. Segundo testemunhas, antes de invadir a festa e atirar no petista, Jorge passou de carro diante do local disse "aqui é Bolsonaro".

No domingo (10), em sua primeira manifestação sobre o assassinato, Bolsonaro disse que dispensava o "apoio de quem pratica violência contra opositores", mas, no mesmo pronunciamento, atacou a esquerda.

Bolsonaro é desde antes de chegar à Presidência um dos principais políticos que insuflam o antipetismo e já chegou a usar termos como "fuzilar a petralhada" —fato que foi lembrado por eleitores em meio à repercussão do caso em Foz do Iguaçu.

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