Campanha de Bolsonaro prevê segundo turno com disputa mais dura da história

*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  30-08-2022, 15h00. O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia de posse do ministro  Luis Felipe Salomao, no CNJ      (FOTO Gabriela Biló /Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 30-08-2022, 15h00. O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia de posse do ministro Luis Felipe Salomao, no CNJ (FOTO Gabriela Biló /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A campanha Jair Bolsonaro (PL) celebrou o fato de a pesquisa Datafolha divulgada na quinta (1º) indicar maior probabilidade de a eleição presidencial se resolver apenas no segundo turno.

De acordo com o instituto, Lula (PT) caiu de 51% dos votos válidos, que poderiam garantir a vitória no primeiro turno, para 48%, o que levaria a disputa para uma segunda rodada com Bolsonaro.

Um estrategista da campanha do presidente afirma que os bolsonaristas jamais descartaram o segundo turno, e que a meta agora é chegar ao final do primeiro com Lula caindo, ainda que lentamente, e Bolsonaro em ascensão –o que poderia abrir a possibilidade de uma virada no segundo turno.

Nesse cenário, em que os dois teriam chance de vitória, a disputa poderia se transformar na mais dura da história da redemocratização, segundo o integrante da equipe de Bolsonaro. Atingiria níveis de tensão maiores até mesmo do que a campanha de 2014, que contrapôs Dilma Rousseff (PT) a Aécio Neves (PSDB), com vitória da petista.

Para que o presidente tenha chance de virada, no entanto, é preciso forçar o segundo turno, pois só assim haveria tempo de Bolsonaro melhorar sua imagem e encostar em Lula.

A aposta é que as três semanas extras de campanha da segunda rodada permitiriam que a avaliação positiva do governo, que chegava a 25% de ótimo e bom e maio, e agora voltou a subir, chegando a 31%, cresça ainda mais.

Na opinião dos bolsonaristas, se a administração federal atingir 40% de ótimo e bom durante o segundo turno, o presidente se reelege.

Novas baixas no preço dos combustíveis, expectativa de crescimento econômico e o pagamento da segunda parcela do Auxílio Brasil, em setembro, ajudaria a alterar ainda mais o humor do eleitorado, que vem se alterando, mas de forma lenta.

O Datafolha mostrou que os eleitores que recebem o benefício não mudaram seu voto de Lula para Bolsonaro.

A faixa do eleitorado de baixa renda, que ganha até dois salários mínimos, segue fiel ao petista, dando a ele ampla vitória sobre Bolsonaro, por 54% a 25% no primeiro turno.

No segundo turno, 63% dos eleitores desta faixa de renda votariam em Lula, contra 29% que escolheriam Bolsonaro.

A alta rejeição de Bolsonaro, que estacionou no patamar de 52%, preocupa. Mas os aliados do presidente acreditam que ela não voltará a subir, pois o presidente, na visão deles, já "apanhou" tudo o que tinha que apanhar dos adversários em seus quase quatro anos de governo.