Campanha de Bolsonaro reage a notícias falsas e cita plano inexistente de Lula de diminuir Auxílio Brasil e congelar salário mínimo

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) veiculou nesta quinta-feira uma inserção no rádio afirmando que o candidato do PT a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), "já disse que vai diminuir" o Auxílio Brasil, o que não é verdade. A propaganda também afirma que Lula poderia congelar o salário mínimo e taxar o Pix, propostas que também não foram defendidas pelo petista.

Como o GLOBO mostrou, as duas campanhas têm mirado o bolso do eleitor, com falsas ameaças sobre o que os adversários têm prometido ou farão. O programa de Lula afirmou que Bolsonaro poderia acabar com o 13º salário e com as férias. Enquanto isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou o "outro lado" de querer "acabar" com o Simples Nacional, programa de simplificação tributária. Nenhum dos candidatos defendem essas propostas.

Na inserção veiculada nesta quinta, um narrador afirma que "é Lula quem pode congelar o salário mínimo", porque não teria apoio no Congresso. O PL, partido de Bolsonaro, elegeu a maior bancada na Câmara e no Senado, mas isso não garante maioria em nenhuma das duas Casas.

— Sem apoio do Congresso, é Lula quem pode congelar o salário mínimo. E, se faltar dinheiro, você pode perder o 13º. E aí, Lula vai cobrar imposto sobre Pix. Porque o Auxílio Brasil o Lula já disse que vai diminuir, porque o valor não pode ser igual para todos.

Tanto Lula quanto Bolsonaro defendem a manutenção do valor de R$ 600 para o Auxílio Brasil. Os dois também afirmam que irão reajustar o salário mínimo acima da inflação. As campanhas, contudo, se acusam mutuamente de que não irão cumprir essas promessas.

Na quarta-feira, o presidente reclamou de uma propaganda do PT que cita um plano inexistente de fim do 13º e das férias:

— Nesses áudios, que estão indo para a rádio, estão dizendo que eu vou acabar com o 13º e com a hora extra. Nós, obviamente, que estudamos, que entendemos de Constituição, sabemos que esses direitos trabalhistas só poderiam ser suprimidos em uma nova Assembleia Nacional Constituinte. É impossível qualquer pessoa suprimi-los. E até mesmo, ouso dizer, em uma nova Assembleia Constituinte, ninguém iria suprimir esses dois direitos trabalhistas. Agora, para pessoas mais humildes na ponta da linha, muitos acreditam.