Campanha de Bolsonaro vê acerto na ONU e erro em discurso para apoiadores em Londres

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 15.09.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 15.09.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) viram como positivo o saldo final das duas viagens internacionais, a Londres e Nova York, a menos de duas semanas das eleições.

Para eles, a presença do chefe do Executivo nos dois principais eventos mundiais do momento, em especial sua fala na abertura da Assembleia-Geral da ONU, reforçaram sua figura presidencial e lhe garantiram ampla exposição midiática.

Por outro lado, viram como deslize o discurso de Bolsonaro na sacada da residência oficial do embaixador brasileiro em Londres, quando o presidente adotou um tom de campanha eleitoral para seus apoiadores. Ele foi acusado de desrespeitar o luto nacional no Reino Unido por causa da morte da rainha Elizabeth 2ª.

A avaliação é que Bolsonaro poderia ter agradecido a presença dos apoiadores em Londres, mas ter reforçado que a ocasião era de luto pela monarca e deixado as declarações de campanha para outro momento.

Em seu discurso a apoiadores na capital inglesa, o presidente adotou tom eleitoral. Disse que será eleito no primeiro turno e repetiu bandeiras conservadoras que tem levantado em suas falas, como sua oposição ao aborto e à descriminalização das drogas.

Uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu que a campanha utilize imagens do discurso feito na sacada da residência oficial. Determinou ainda a remoção de vídeos publicados nas redes de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

As imagens, contudo, já haviam sido replicadas nas redes em páginas bolsonaristas, assim como outras de Bolsonaro com apoiadores e indo à cerimônia fúnebre oficial. Como a Folha de S.Paulo mostrou, a campanha via como central uma foto de Bolsonaro com o rei Charles 3º, sucessor de Elizabeth 2º, o que conseguiu.

O objetivo era reforçar a imagem de Bolsonaro como um governante que participa de importantes eventos internacionais e que é recebido por personalidades relevantes.

O mandatário também gravou vídeo em um posto de gasolina da Inglaterra para dizer que o combustível no país é mais caro do que no Brasil, a despeito da renda no Reino Unido ser maior.

O salário mínimo no Reino Unido é de cerca de R$ 9.175 por mês, enquanto no Brasil é de R$ 1.212.

Bolsonaro foi a Londres para participar do velório de Elizabeth 2ª. Ele estava acompanhado da primeira-dama Michelle e do pastor Silas Malafaia. Também viajaram o coordenador de comunicação da campanha, Fábio Wajngarten, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Para o entorno do presidente, as viagens eram obrigatórias e não havia como Bolsonaro permanecer no Brasil, mesmo com a proximidade da campanha. Segundo o Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 45% da preferência do eleitorado contra 33% de Bolsonaro.

Já nas Nações Unidas, Bolsonaro usou o espaço nobre para defender o seu governo e se dirigir ao público interno. O presidente atacou a esquerda e Lula --sem citá-lo nominalmente-- e mencionou casos de corrupção na Petrobras.

O discurso foi descrito por integrantes da campanha como efetivo e de acordo com o planejado, sem grandes surpresas.

Ao contrário de edições anteriores, o presidente adotou um tom mais moderado e acatou as sugestões do Itamaraty de evitar ataques diretos a outros países, como vinha fazendo com Chile e Argentina.

A fala também foi amplamente divulgada por veículos de imprensa nacionais, o que aliados chamaram de "horário eleitoral gratuito".

Interlocutores de Bolsonaro acreditam que sua presença nos eventos internacionais pode não ter virado votos de indecisos, mas tampouco fez com que perdesse apoios. O chefe do Executivo retorna ainda nesta terça-feira (20) a Brasília.