Campanha de Bolsonaro teme impacto de notícia sobre compra de imóveis e estuda reação

Reportagem do Uol revelou que família de Jair Bolsonaro comprou metade dos imóveis que possui em dinheiro vivo (Foto: ALBARI ROSA/AFP via Getty Images)
Reportagem do Uol revelou que família de Jair Bolsonaro comprou metade dos imóveis que possui em dinheiro vivo (Foto: ALBARI ROSA/AFP via Getty Images)

Os responsáveis pela campanha eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) estão monitorando as reações dos eleitores em relação à revelação de que a família do presidente da República comprou quase metade dos imóveis que tem com dinheiro vivo.

Segundo a jornalista Andréia Sadi, do portal g1, integrantes da campanha entendem que o tema pegou entre a população e, pior, pode prejudicar a maior arma eleitoral de Bolsonaro: imputar a Lula a responsabilidade por escândalos de corrupção.

De acordo com Sadi, assessores bolsonaristas entendem que a reação que o presidente teve até agora foi pouco para conseguir tirar o tema da pauta. Ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro fez pouco caso: “qual é o problema de comprar imóvel com dinheiro vivo?”.

Agora, o entorno do presidente discute qual deve ser a nova estratégia a ser adotada diante da situação. Enquanto uma parte dos assessores acha que Bolsonaro deva reagir de forma mais enfática para evitar desgastes, outros acreditam que o presidente deva evitar falar sobre.

O temos de aliados, segundo Andréia Sadi, é de que mulheres chefes de família evangélicas e pessoas indecisas sobre o voto sejam impactadas diretamente pela revelação, já que o tema da corrupção é forte entre eles.

Uma estratégia de contra-ataque avaliada pela campanha de Bolsonaro é usar as acusações de Antonio Palocci, ex-ministro de Lula, de que houve corrupção nos governos petistas. A campanha do ex-presidente deve explorar a revelação sobre os imóveis pagos em dinheiro vivo, mas adota tom de cautela.

Imóveis em dinheiro vivo

Reportagem do portal UOL divulgada nesta terça-feira (30) revela que desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: Em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.