Campanha de desinformação para desacreditar jornalista bielorrusso preso

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Protesto em Varsóvia a favor de Belarus em 29 de maio de 2021

Uma intensa campanha de difamação e desinformação tenta desacreditar o jornalista da oposição bielorrussa Roman Protasevich, detido no aeroporto de Minsk após a interceptação de um avião que viajava da Grécia para a Lituânia.

Pouco depois de sua prisão, artigos foram publicados em russo e, mais tarde, em uma dezena de idiomas, ligando-o a grupos neonazistas.

Fotos de jovens fazendo saudação nazista e usando distintivos da SS nas redes sociais tentavam convencer que se tratava do jornalista, uma campanha de desinformação semelhante às lançadas no passado contra os opositores do Kremlin, segundo especialistas.

A AFP encontrou o homem da foto fazendo a saudação nazista. Trata-se de Konstantin Ajromenko.

O jovem bielorrusso confirmou sua identidade, observando que a foto foi tirada "10 ou 12 anos atrás".

"Nunca fomos nazistas. Tiramos essas fotos apenas para nos divertir, porque a propaganda oficial nos chamava de nazistas", disse ele à AFP.

Ele esclareceu que o homem com o capacete da SS não era Protasevich, mas Eduard Lobov, um ex-político bielorrusso, que se tornou combatente no leste da Ucrânia.

- Jornalista ou combatente? -

O próprio Protasevich admitiu que passou um tempo em unidades paramilitares no leste da Ucrânia após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014.

Rotulando-o como "terrorista" e "extremista", a campanha afirma que ele lutou no batalhão de Azov, conhecido por suas visões neonazistas.

Sua família, colegas e até alguns combatentes insistem que ele estava na Ucrânia apenas como jornalista.

Vladislav Sobolevsky, comandante no batalhão de Azov entre 2014 e 2017, afirmou que Protasevich se alistou como jornalista para "ajudar a Ucrânia e, no futuro, seu próprio país".

- 'Propaganda típica do Kremlin' -

O jornalista de 26 anos mencionou frequentemente a sua temporada na Ucrânia durante entrevistas. Há também um vídeo no qual ele trata de um ferimento durante o combate. Mas sempre afirmou que estava lá para registrar a luta.

De acordo com Euvsdisinfo.eu, um projeto de serviço estrangeiro da União Europeia (UE) criado para combater a desinformação russa, esta é uma tentativa deliberada de "difamar" Protasevich.

Um artigo publicado em seu site comparou esses "esforços de desinformação" aos usados contra críticos do Kremlin, como Alexei Navalny.

A Rússia é um importante aliado de Lukashenko, que prendeu centenas de opositores após os protestos massivos que eclodiram após sua polêmica reeleição no ano passado.

Essa mistura de fatos, mentiras e acusações infundadas "tem todas as marcas da propaganda típica do Kremlin", disse Jakub Kalensky, principal investigador do Atlantic Council, um grupo de estudos com sede em Washington.

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