Campanha de Lula comemora desempenho no JN e aposta em conquistar indecisos

Apoiadores do ex-presidente Lula assistem entrevista do candidato presidencial ao Jornal Nacional em casa nos arredores de Brasília

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O clima foi de comemoração na campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao final da entrevista do candidato presidencial ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira, com a avaliação de que o petista teve um desempenho muito bom nos 40 minutos e pode conquistar votos de eleitores indecisos.

"Foi muito bom. Eles começaram no ataque, ele soube se defender e virou", disse à Reuters o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos coordenadores da campanha do ex-presidente. "Foi uma sensação muito boa, ele estava feliz, bem humorado."

Uma fonte próxima a Lula analisou que o desempenho do ex-presidente durante os 40 minutos na bancada do telejornal pode inclusive conquistar alguns votos de indecisos.

"Ele foi muito bem. Vai fazer os indecisos refletirem. Não há dúvida que ele alterará a posição de uma parte dos indecisos. Ele enfrentou o debate da corrupção, o que impede que ele cresce entre os indecisos dos setores médios", disse a fonte, que pediu anonimato. "Ele falou de propostas, falou contra as armas, ódio, intolerância, dialogou com os indecisos que não querem o Bolsonaro devido a apologia à violência."

Lula se preparou desde terça-feira para a entrevista na TV Globo, analisando respostas para as perguntas mais duras que viriam, como as da Lava Jato. O ex-presidente incluiu no grupo que o assessorou o jornalista Franklin Martins, seu ex-ministro da Secretaria de Comunicação, entre outros.

Presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PR) comemorou a entrevista afirmando que Lula mostrou o que é ser presidente da República.

"Conhece o país, conhece o Estado e conhece o povo brasileiro. O Brasil estava com saudades de ver um presidente de verdade, de ver o Lula! Arrasou!", escreveu a parlamentar em sua conta no Twitter.

Citado diversas vezes pelo ex-presidente, seu candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), agradeceu o "carinho e a confiança" e cumprimentou o desempenho de Lula.

"Parabenizo o presidente Lula pela clareza e altivez com que expôs aos brasileiros no JN o nosso projeto para o Brasil. Nós vamos interromper as insanidades e fazer o Brasil gerar emprego e renda de novo", escreveu Alckmin no Twitter, completando ainda: "Fica nosso compromisso de lealdade e dedicação permanentes".

A entrevista do ex-presidente registrou 31,3 pontos no Ibope na grande São Paulo, com picos de 37 pontos, um pouco abaixo de segunda-feira, quando o presidente Jair Bolsonaro foi entrevistado no JN, de acordo com dados obtidos pelo portal Uol. Na data, a audiência foi de 32,2 pontos, com picos também de 37.

A entrevista teve também uma grande repercussão nas redes sociais. Logo após o final da sabatina, 19 dos 20 assuntos do momento no Twitter eram relativos a ela, sendo apenas um com viés negativo.

Segundo dados da Quaest Pesquisa, que fez o monitoramento das redes, 15 milhões de pessoas teriam sido impactadas pelas postagens durante a entrevista, a melhor média até agora entre os entrevistados no JN: Bolsonaro teve 9 milhões e Ciro Gomes (PDT), 2 milhões.

O levantamento mostrou ainda que as respostas do ex-presidente sobre corrupção --um dos temores da sua equipe de campanha-- foram um dos pontos com maiores reações positivas, assim como a defesa da aliança com Alckmin e quando defendeu que política não é lugar de ódio.

As menções negativas aconteceram quando não respondeu sobre a escolha de um nome da lista tríplice para procurador-geral da República, chamou Bolsonaro de "bobo da corte" e disse que iria resolver o orçamento secreto conversando com os deputados.

Na média, de acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest, Lula teve 48% de menções positivas e 52% de negativas. Foi um pouco pior que Ciro Gomes (54% de positivas) e melhor do que Bolsonaro, que alcançou 35% de menções positivas.

REAÇÃO BOLSONARISTA

Do lado da campanha bolsonaristas, aliados do presidente reagiram imediatamente nas redes criticando a postura dos entrevistadores, alegando que os jornalistas foram mais suaves com Lula do que com Bolsonaro.

"O pronunciamento em rede nacional de Lula no JN continua. Os dois espectadores no estúdio assistem com atenção e, de vez em quando, elogiam. Bolsonaro foi a outro lugar, tratamento muito pior. O programa eleitoral começou hoje. Bolsonaro foi a uma inquisição", escreveu em suas redes o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, um dos homens fortes da campanha de Bolsonaro.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que a "parcialidade só fortalece o povo e o apoio ao Bolsonaro" nas eleições. "A 'entrevista' de hoje foi a facada de 2022!", afirmou.