Campanha de Lula reforça segurança para ato em SP após bomba caseira no RJ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O comando da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o esquema de segurança para ato deste sábado (9), em Diadema (SP). Cem agentes de segurança foram contratados exclusivamente para revista do público com uso de detectores de metal portáteis.

Eles ficarão nos quatro acessos à Praça da Moça, onde deverá ser formalmente anunciado o apoio do ex-governador Márcio França (PSB) à candidatura do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes.

Organizadores do evento decidiram intensificar a convocação de apoiadores de Lula para o entorno. Além da segurança do ex-presidente, dos 25 agentes da Guarda Municipal e de 40 policiais militares, simpatizantes estão sendo estimulados a fazer um cerco à praça na tentativa de evitar que se repita o incidente desta quinta-feira (7), quando arremessaram um artefato explosivo na Cinelândia, no Rio.

Nesta sexta (8), o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior, esteve com o comandante militar da região para pedir que ficassem de sobreaviso para caso de algum incidente.

"Sempre pode haver alguém infiltrado", disse.

Nesta sexta, os militantes receberam orientação sobre medidas de segurança no local, como a proibição de mochilas, garrafas e bandeiras com hastes de madeira.

A recomendação é que os apoiadores cheguem ao local com duas horas de antecedência, a tempo de serem submetidos à revista.

Secretário-geral do PT, Paulo Teixeira afirma que os cuidados têm que ser redobrados. Segundo ele, os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão nervosos com a liderança de Lula nas pesquisas. E "Bolsonaro não tem regras nem limites".

Um dos coordenadores da campanha de Lula, o deputado José Guimarães diz que não se deixarão intimidar. A resposta, diz, é levar mais apoiadores para rua.

A expectativa é que cerca de 5.000 militantes participem do ato deste sábado, em uma área de cerca de 2.000 metros quadrados, cercados por gradis.

Em nota, a Polícia Militar informou que "o 24º BPM/M adotou providências de planejamento prévio e estará presente no dia com o emprego do efetivo de policias militares para garantir o policiamento durante o evento".

A exemplo do Rio, Lula deverá usar colete a prova de balas.

Na quinta, a bomba caseira foi lançada antes da chegada de Lula à Cinelândia, palco do primeiro ato da pré-campanha em espaço público. Um suspeito foi preso e passará por audiência de custódia.

Episódios ligados a ameaças, ataques e tensão relacionados à pré-campanha eleitoral têm se acumulado no Brasil. Só na quinta , por exemplo, o país viu um ataque a um juiz federal e ao ato com o ex-presidente Lula. Dias atrás, militantes de esquerda impediram uma palestra de políticos de direita.

Também nesta semana, o ministro Edson Fachin, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse que o Brasil pode ter nas eleições deste ano um episódio ainda mais grave do que a invasão do Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021.

A polarização eleitoral entre Bolsonaro e Lula e a perspectiva de uma disputa acirrada levaram a Polícia Federal a reforçar o esquema de segurança de candidatos à Presidência para este ano.

Até 2018, a PF fazia a proteção dos candidatos com base em lei e portaria sucinta do Ministério da Justiça, que tratava genericamente da necessidade de a corporação proteger aqueles que disputassem o Palácio do Planalto.

Após o pleito, marcado pela facada a Bolsonaro e ameaças à campanha de Fernando Haddad (PT), a polícia editou instrução normativa específica para a segurança dos candidatos à Presidência com diretrizes que devem ser seguidas pelos agentes e com recomendações claras aos políticos que vão concorrer.

O Gabinete da Segurança Institucional da Presidência afirmou, por meio de nota, que "a segurança do presidente é planejada e executada de acordo com as características de cada evento, no Brasil e no exterior, subsidiada, sempre, com as devidas análises de risco".

"Em síntese, a sua segurança já está em curso, desde o início do mandato, e sofrerá as devidas adaptações, conforme as programações da campanha eleitoral que contarão com a presença do Sr Presidente da República", diz.

A coordenação da pré-campanha de Simone Tebet (MDB) afirmou, também em nota, que "repudia veementemente a escalada de ataques em eventos de pré-campanha e quaisquer outros atos que afrontem a democracia e ponham em risco as pessoas".

"As autoridades devem investigar com rigor todos os casos e agir com rapidez para que novas tentativas de intimidação sejam coibidas."