Campanha de Lula tem crise com vaivém de narrativas e disputa na comunicação

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**Arquivo**SÃO PAULO -SP - PODER- 14/04/2022 - Encontro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com sindicalistas em São Paulo. Presença de Geraldo Alckmin (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
**Arquivo**SÃO PAULO -SP - PODER- 14/04/2022 - Encontro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com sindicalistas em São Paulo. Presença de Geraldo Alckmin (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta uma crise pública de sua pré-campanha com a disputa pelo comando da comunicação.

Alvo de críticas de dirigentes petistas, o coordenador de comunicação, o ex-ministro Franklin Martins, foi chamado para uma conversa com Lula ainda nesta quarta-feira (20), alimentando rumores de que seria destituído.

A crise no marketing desnudou uma queda de braço na coordenação da pré-campanha, que também tem sofrido críticas internamente pela falta de uma unidade na disseminação de ideias e pautas —e o vaivém nas declarações do próprio ex-presidente.

Dois exemplos mais recentes foram as declarações sobre o aborto e a reforma trabalhista.

No primeiro, o petista afirmou que o aborto deveria ser um "direito de todo mundo", fornecendo munição para seus adversários. No dia seguinte, o petista contornou as declarações, se posicionou pessoalmente contra o aborto e defendeu o tratamento para mulheres que realizarem o procedimento na rede pública de saúde.

Já no caso da reforma trabalhista as declarações se arrastam desde o começo do ano. Em janeiro, publicações nas redes sociais de Lula e Gleisi, a favor da "contrarreforma" em implementação na Espanha, causaram reação no setor empresarial.

Emissários de Lula se apressaram a explicar que não se tratava de uma revogação integral da reforma aprovada no governo de Michel Temer (MDB), mas sim a revisão de alguns itens.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, porém, o PT propôs e a federação partidária que formará endossou a proposta de revogação da reforma —embora o próprio Lula reconheça entraves para a iniciativa.

Em entrevista a uma rádio do Tocantins, na terça (19), o petista afirmou que quer reconstruir uma "relação de trabalho moderna". "Não é que a gente faça a revogação [da reforma], porque ninguém quer de volta o passado", ressaltou.

Em relação ao comando da comunicação, petistas reclamam da dificuldade de diálogo com o coordenador. Esse abismo, dizem, é visível nas redes sociais, onde as páginas do PT e seus parlamentares não reproduzem postagens de Lula por não serem previamente avisados sobre essas publicações.

Dirigentes petistas afirmam que não querem apenas financiar as despesas da pré-campanha —a cargo do fundo partidário até a oficialização da candidatura—, mas participar da tomada de decisões.

O maior foco de queixa está nas redes sociais. Em comparação ao bolsonarismo, petistas afirmam que o comando da pré-campanha do petista é analógico.

Lula, por sua vez, tem lamentado a interlocutores a dificuldade de se contrapor ao discurso bolsonarista, por exemplo, quando afirmam que a defesa do meio ambiente é incompatível com o desenvolvimento econômico ou quando minimizam o papel dos sindicatos na relação entre patrão e empregado.

O desfecho da crise deverá ser acompanhado de uma mudança na estrutura da pré-campanha, com a instalação de uma coordenação política, sob o comando do senador Jacques Wagner (PT-BA) e a participação dos deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e José Guimarães (PT-CE).

Prevista para a semana passada, a instalação foi adiada para depois do dia 7 de maio, quando a pré-candidatura de Lula será formalizada em ato em São Paulo.

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