Campanha de Lula vê efeito eleitoral limitado de auxílio após Datafolha

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.08.2022 - O ex-presidente Lula participa do lançamento do livro de fotos de Ricardo Stuckert no Memorial da América Latina, em São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.08.2022 - O ex-presidente Lula participa do lançamento do livro de fotos de Ricardo Stuckert no Memorial da América Latina, em São Paulo. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

PARÁ (FOLHAPRESS) - Integrantes da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliaram que a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (1º) mostra que os ganhos eleitorais de Jair Bolsonaro (PL) com a ampliação do Auxílio Brasil têm se mostrado limitados.

O levantamento indicou que o petista oscilou de 47% para 45% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro se manteve estável com 32%. A diferença é de 13 pontos --na pesquisa anterior, era de 15 pontos e, em julho, de 18 pontos.

Em outra frente, aliados de Lula reconheceram que é preciso conter ganhos de Bolsonaro em setores específicos do eleitorado, principalmente os que têm renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos e os evangélicos. No diagnóstico de conselheiros do petista, Lula precisa "furar a bolha" dos evangélicos e intensificar gestos para esses eleitores.

A pesquisa Datafolha foi realizada após o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV e também depois do primeiro debate presidencial, realizado no último domingo (28) por Folha de S.Paulo, UOL e TVs Bandeirantes e Cultura.

Para coordenadores do comitê de Lula, o cenário revelou estabilidade da polarização entre os principais candidatos, com mudança relevante apenas na chamada terceira via.

Ciro Gomes (PDT) oscilou de 7% para 9% e Simone Tebet (MDB) avançou de 2% para 5%.

A leitura é que os debates representam a possibilidade de mexer em números da corrida. Para aliados do petista, Ciro e Tebet colheram os frutos do embate transmitido na semana passada.

A campanha do PT comemorou o fato de Bolsonaro não ter crescido. Para eles, isso deixa evidente que o presidente não tem colhido os frutos eleitorais desejados com o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600 e com as reduções no preço dos combustíveis.

Para um petista ouvido sob reserva, a estagnação de Bolsonaro a menos de um mês do primeiro turno tende a levar o presidente a intensificar ataques contra Lula em setembro.

Num quadro assim, segundo esse aliado, as esperanças de vitória em primeiro turno dependem de uma recuperação de Lula em setores médios (2 a 5 salários) e evangélicos.

Não por acaso, Lula tem feito esforços pelo voto evangélico. Embora a estratégia da cúpula do PT seja a de apostar no discurso da economia para angariar votos entre evangélicos, por conta de parcela importante desse eleitorado ser de renda baixa, Lula tem incorporado componentes religiosos em seus discursos e agendas.

O ex-presidente, por exemplo, se encontrou com evangélicos adventistas em Manaus. A agenda foi pedida pelo grupo, que entregou uma Bíblia e fez uma oração para o petista. Há ainda previsão de encontro de Lula com outros evangélicos no Rio de Janeiro.

Apesar dos números expostos pelo Datafolha, o ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT) afirmou avaliar que ainda há chances de vitória em primeiro turno.

"Há sintonia com outras pesquisas presenciais que mantêm a real possibilidade de decisão do povo no primeiro turno", disse.

Ele afirmou ainda que Lula continuará trabalhando para buscar votos de indecisos e daqueles que avaliam anular ou votar em branco. Ele também pontuou que o petista irá atrás dos que declaram voto nos demais candidatos e que têm Lula como primeira opção num eventual segundo turno.

"Vamos seguir trabalhando muito nas cinco regiões do país, em cada estado e no Distrito Federal para ganhar a confiança de eleitores e eleitoras que estão com posição de indecisos, que pensam em anular o voto ou votar em branco", disse.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, avaliou como boa a pesquisa Datafolha apesar da oscilação de Lula. "Seguimos na frente, não perdemos votos para nosso principal oponente e ainda há chance de vitória no primeiro turno depois de duas semanas de chumbo pesado contra Lula", disse.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, a campanha de Bolsonaro, por sua vez, diz ver efeito do discurso sobre corrupção adotado contra Lula nos resultados do Datafolha.

Para aliados de Bolsonaro, há indicações de que o chefe do Executivo foi bem-sucedido ao tentar atribuir a Lula a imagem de corrupto em seus discursos e pronunciamentos.

Eles afirmam, no entanto, que não houve impacto claro direto da ofensiva devido a erros cometidos nas últimas semanas, que podem ter levado o presidente a perder pontos.

A avaliação é que Bolsonaro ainda se apresenta como irritado ou destemperado em alguns momentos, o que pode afugentar o voto que não está consolidado ou dos indecisos.

As campanhas de Ciro e Tebet comemoraram o desempenho no Datafolha e creditaram o resultado positivo para os dois candidatos à exposição da sabatina no Jornal Nacional e do debate.