Campanha nos EUA se volta para estados republicanos cobiçados pelos democratas

Ariela NAVARRO
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O candidato democrata Joe Biden em Chester, Pensilvânia
O candidato democrata Joe Biden em Chester, Pensilvânia

O candidato democrata Joe Biden se aventura nesta terça-feira (27) na Georgia, um estado onde os republicanos ganham há décadas, e o presidente Donald Trump viaja para Michigan, Wisconsin, Nebraska e Nevada, na reta final da campanha nos Estados Unidos, a sete dias do voto. 

Na última semana de campanha, Trump, de 74 anos, está radiante depois de conseguir uma importante vitória política após a confirmação no Senado de sua candidata para a Suprema Corte, Amy Coney Barrett, com a qual busca atiçar os eleitores mais conservadores e a direita religiosa e colher votos na área central dos Estados Unidos. 

No jardim da Casa Branca, Trump celebrou na segunda-feira o juramento da juíza - conhecida por sua oposição ao aborto - como um "dia transcendental para os Estados Unidos". 

Em uma aposta arriscada, Biden, de 77 anos, visitará nesta terça-feira a Georgia, um estado que vota pelos republicanos há décadas e que ninguém teria sonhado em mudar de ideia, mas no qual os candidatos estão lado a lado, segundo as pesquisas. 

Sua companheira de chapa, a senadora democrata pela Califórnia Kamala Harris, também estará em território republicano em uma tentativa de tirar o Arizona e Texas de Trump, dois estados em que uma mudança demográfica poderia modificar a dinâmica partidária. 

As agendas do dia tanto de Biden como de Harris mostram uma estratégia pouco convencional, que busca cobrir todas as brechas e caminhos inesperados que podem levá-los a somar os votos eleitorais que precisam para chegar à Casa Branca. 

A uma semana das eleições, Trump viajará para o Michigan, estado que ganhou em 2016 mas que quatro anos depois se inclina para Biden, de acordo com as pesquisas. 

No entanto, o presidente se prende ao fato de na eleição passada muitas pesquisas terem se equivocado, quando venceu a eleição.

Depois, o presidente irá para La Crosse e West Salem no Wisconsin, tentando diminuir a vantagem de Biden nas pesquisas. 

Em um dia cheio, ele também visitará o Nebraska e finalizará a jornada em Nevada. 

Prova do fervor gerado por essa eleição, cerca de 60 milhões de pessoas já votaram antecipadamente. 

- Expectativas para 2021 -

A eleição ocorre em meio a uma pandemia que atingiu em cheio os Estados Unidos, o país com mais mortes com cerca de 225.739 óbitos e 8.704.968 casos de covid-19. 

O próprio Trump se infectou e foi hospitalizado e Biden manteve uma campanha de baixa intensidade, que nos primeiros meses se concentrou majoritariamente em eventos online. 

Com a pandemia, Trump perdeu um de seus argumentos mais sólidos para a reeleição: uma economia que conseguiu fazer com que o desemprego chegasse a um mínimo de 3,5%. 

Mas a pandemia destruiu milhões de empregos e transformou o discurso do governo, que agora foca na possibilidade de que a recuperação seja rápida e nas expectativas para 2021. 

"Para o segundo mandato, esperamos que o primeiro trimestre de 2021 seja um dos mais fortes na história", disse nesta terça-feira a diretora de Comunicação Estratégica, Alyssa Farah. 

- Tensão na Filadelfia -

Na reta final, um fantasma assombra a política americana: a possibilidade de que as mobilizações contra a violência policial e o racismo ressurjam, após a morte de um homem negro com deficiência pela polícia na Filadelfia. 

No final de maio, a morte de George Floyd, um homem negro asfixiado por um policial em Minnesota, desencadeou uma onda de protestos não vista em décadas. 

Na noite de segunda-feira, centenas de pessoas protestaram nas ruas da Filadelfia, em meio aos questionamentos da família do falecido sobre por que a polícia usou uma força letal contra um homem que, embora portasse uma faca, estava sendo dominado por sua mãe para que a soltasse. 

Nos distúrbios noturnos, cerca de 30 policiais ficaram feridos, incluindo um policial que foi atropelado. 

Outros eventos semelhantes que foram denunciados pelo movimento Black Lives Matter geraram respostas divergentes dos candidatos. 

Biden promete medidas para corrigir as injustiças sofridas pelas minorias. Trump condena o caos, que atribui aos democratas, agarrando-se ao seu mantra "Lei e ordem". 

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