Campanha presidencial em Uganda tem início sangrento com 37 mortos

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Partidário do opositor ugandense Bobi Wine leva seu retrato durante uma manifestação contra sua nova detenção, em Kampala, em 18 de novembro de 2020
Partidário do opositor ugandense Bobi Wine leva seu retrato durante uma manifestação contra sua nova detenção, em Kampala, em 18 de novembro de 2020

Pelo menos 37 pessoas morreram desde quarta-feira (18), em Uganda, nos distúrbio causados por uma nova prisão do deputado e cantor popular Bobi Wine, principal rival do presidente em final de mandato na eleição presidencial em janeiro, que se anunciam muito tensas.

Nos últimos meses, o entorno do presidente Museveni, de 76 anos, no poder desde 1986, deus sinais de nervosismo ante Bobi Wine, de 38 anos, várias vezes detido, ou posto em prisão domiciliar desde 2018.

Eleito deputado em 2017, o deputado cantor Robert Kyagulanyi - seu nome verdadeiro - se tornou porta-voz de uma juventude ugandense urbana e muito pobre, que não se reconhece no envelhecido regime do presidente Museveni.

Bobi Wine foi preso na quarta-feira, por ter violado as medidas anticovid durante seus comícios de campanha. Foi solto nesta sexta-feira.

A notícia de sua prisão revoltou seus apoiadores, que enfrentaram as forças de segurança em Kampala na quarta e na quinta-feira, assim como em outros centros urbanos.

"Até agora, temos 37 mortes relacionadas com as manifestações que começaram na quarta-feira", disse o inspetor-geral adjunto da Polícia, Moses Byaruhanga, à AFP.

Nesse período, o presidente Yoweri Museveni não comentou os acontecimentos em curso e continuou sua campanha eleitoral, na qual, segundo a ONG Human Rights Watch, reuniu grandes multidões sem ser questionado pela polícia, ou pelo Exército.

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