Campanha presidencial portuguesa abalada pela pandemia

Thomas CABRAL
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Marcelo Rebelo de Souza, presidente de Portugal, em foto de 2 de novembro de 2020

A campanha presidencial portuguesa foi paralisada nesta terça-feira (12) antes da confirmação de que o atual chefe de Estado, grande favorito para as eleições de 24 de janeiro, teve resultado negativo em um novo teste de covid-19.

Após um primeiro teste positivo, cujo resultado foi anunciado na segunda-feira à noite, Marcelo Rebelo de Sousa foi submetido a um segundo que resultou negativo, o que o fez passar por um novo "teste de confirmação".

"O teste realizado pela manhã (...) voltou a dar resultado negativo. O presidente aguarda agora instruções das autoridades de saúde", informou a presidência em um breve comunicado.

Rebelo de Sousa, um conservador de 72 anos, cancelou imediatamente todas as suas reuniões.

Na quarta-feira passada, já ficou algumas horas em "isolamento preventivo" depois de saber que uma pessoa de seu entorno havia dado resultado positivo. Então, o presidente deu negativo e, portanto, não ficou em quarentena, já que o contato com a pessoa afetada foi considerado de "baixo risco".

Devido a possíveis contatos com o presidente, após uma série de debates televisionados, os principais candidatos cancelaram suas agendas públicas, já reduzidas ao mínimo por causa da situação sanitária.

A televisão oficial manteve o debate que deve opor os sete candidatos nesta terça-feira à noite.

As eleições serão realizadas em 24 de janeiro.

- "Confinamento geral" -

Antes que Rebelo de Sousa fosse diagnosticado positivo, a campanha eleitoral - que começou oficialmente no domingo - já estava ameaçada pelo possível anúncio de um novo confinamento para frear o aumento de casos de covid-19.

Após um recorde de 10.176 casos em 24 horas na sexta-feira passada, Portugal registrou nesta terça um recorde de mortos: 155 em um só dia.

Pela primeira vez desde o início da pandemia, pouco mais de 4.000 pessoas estão hospitalizadas, cerca de 600 delas em UTI.

Diante deste surto, atribuído à flexibilização das restrições sanitárias durante o fim de semana do Natal, "nesta semana teremos realmente que adotar medidas gerais de confinamento", confirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro, Antonio Costa.

Apesar de a lei portuguesa proibir a limitação das atividades políticas, inclusive sob o estado de emergência em vigor desde o começo de novembro, os candidatos presidenciais esperam conhecer no detalhe as novas restrições antes de retomar suas campanhas.

Todas as pesquisas preveem a reeleição de Rebelo no primeiro turno, em uma consulta marcada pela ausência de um candidato oficialmente apoiado pelos socialistas, no poder.

- Abstenção histórica -

Ana Gomes, militante socialista muito crítica a Costa, diplomata e ex-eurodeputada, espera conquistar o segundo lugar à frente do candidato populista André Ventura.

"Com ou sem covid, esta eleição vai de qualquer jeito registrar um recorde de abstenção histórica", que poderia chegar a 75%, afirma o cientista político Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro, ao jornal Publico.

Segundo ele, o índice de participação manterá uma tendência baixa já observada em eleições presidenciais anteriores, que estará acentuada pela muito provável vitória do atual presidente.

Para tentar evitar que a situação sanitária aumente ainda mais a abstenção, as autoridades eleitorais ampliaram a possibilidade de voto antecipado a partir do próximo domingo.

Além disso, as autoridades locais também poderão se deslocar para a casa dos eleitores em quarentena, assim como para lares de idosos para recolher seus votos.

Em Portugal, o presidente da República é eleito mediante sufrágio universal, e seu mandato é de cinco anos, renovável por uma vez.

O presidente não tem nenhum poder executivo, mas desempenha um papel de árbitro em caso de crise política e dispõe do poder de dissolver a Assembleia para convocar eleições antecipadas.

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